terça-feira, 27 de julho de 2021

Skye Object 3270a


Linda Nagata (2010). Skye Object 3270a. Mythic Island Press.

Um worldbuilding muito sólido sustenta esta incursão de Linda Nagata na FC YA. A premissa é simples: numa colónia humana que orbita um planeta onde já floresceu uma civilização alienígena extinta no confronto com outra civlização desaparecida, mas cujos artefactos mortíferos assombram os caminhos do espaço, uma jovem adolescente começa a questionar o seu passado. Diga-se que ser adolescente naquela sociedade não é tarefa fácil, a conjugação de tecnologias confere uma quase imortalidade e enorme longevidade às pessoas, o que complica a vida aos jovens que se querem afirmar.

Mas a protagonista tem um desafio extra: ela não nasceu na colónia, foi resgatada a um salva-vidas encontrado à deriva numa nebulosa próxima do planeta. Sobrevivente de uma nave colonizadora destruída pelos artefactos mortíferos de uma civilização extinta, sente que no espaço, se encontram outros salva-vidas contendo outras crianças como ela foi, em hibernação. Para mais, descobre que está infetada com uma doença que é uma arma biológica, programada para se manifestar no final da adolescência. Arma que já dizimou outras colónias. 

Segue-se um périplo de aventuras onde quatro amigos desafiam, como bons adolescentes inteligentes, os seus guardiães e as instituições, para ajudar a jovem a encontrar uma cura recorrendo às biotecnologias exóticas, e desafiar as autoridades para despertar as naves adormecidas, onde hibernam os restantes sobreviventes. 

Uma divertida aventura Young Adult, simplista na sua estrutura conceptual, como não poderia deixar de ser. Mas interessante pelo seu worldbuilding. No mundo ficcional deste romance, não há tecnologias FTL, a travessia interestelar é feita por naves geracionais; as colónias são sociedades fechadas, que pouco contacto mantém entre si. Os vestígios de uma antiga civilização conquistadora, extinta muito antes da humanidade ter dado os primeiros passos no espaço, são uma ameaça constante como armas autónomas. E a única defesa possível está num planeta de biologias hibridas, desenvolvidas por outra civilização extinta, capaz de se combinar com genética alienígena e humana. Um toque refrescante de boa ficção científica.

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