segunda-feira, 30 de novembro de 2020

H-alt: Holy #01

 

Ser anjo da guarda já não é o que era. A clássica missão de ajudar os mais frágeis foi substituída pelo servir de guarda-costas aos humanos mais desprezíveis. Os anjos já não guardam o menino e o borracho, como no ditado popular, ou são garantes de inocência. Estão encarregues de guardar chefes de gangues criminosos, traficantes de droga, ou outras pessoas que de bem têm nada. Banqueiros e economistas não estão explícitos na lista, mas suspeita-se que naturalmente fariam parte.

Holy é uma boa adição às leituras de BD portuguesa, vale a pena a sua descoberta. Está disponível em digital no ComiXology, e pode ser encomendada diretamente aos criadores. Recensão completa na H-alt: Holy.

domingo, 29 de novembro de 2020

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Esta semana, fala-se da banda desenhada portuguesa que comemora os 500 anos das viagens de Fernão de Magalhães, e de literaturas afro-futuristas. Recorda-se Nam June Paik, descobre-se o bot de Inteligência Artificial para pornografia ilegal, e regista-se mais um sucesso da tecnologia da Relativity Space. Ainda se visita o fantástico tradicional português, fala-se de direitos de autor e descobrem-se os segredos da Sé de Lisboa. Estas, e outras leituras, estão nas Capturas da Rede desta semana.

Ficção Científica e Cultura Popular

David A. Hardy: Um piquenique marciano. https://70sscifiart.tumblr.com/post/632058194850676736/david-a-hardy

Tex – Patagónia – Mauro Boselli e Pasquale Frisenda: Não sendo o meu personagem de fumetti favorito, há que respeitar a longevidade de Tex, e a raridade, nos dias que correm, de se manter como título de Western. https://osrascunhos.com/2020/10/21/tex-patagonia-mauro-boselli-e-pasquale-frisenda/

Photo: STS is go. https://70sscifiart.tumblr.com/post/632511172269260800

Free Download of Africanfuturism: An Anthology: Com vontade de ampliar a diversidade cultural da ficção científica contemporânea? Esta antologia gratuita traz-nos o trabalho de alguns dos autores africanos que estão a dar cartas no género. https://brittlepaper.com/2020/10/free-download-of-africanfuturism-an-anthology-stories-by-nnedi-okorafor-tl-huchu-dilman-dila-rafeeat-aliyu-tlotlo-tsamaase-mame-bougouma-diene-mazi-nwonwu-and-derek-lubangakene/

A Viagem Mais Longa: Para comemorar os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, a comissão comemorativa está a promover uma série de atividades. Entre as muitas dedicadas à Educação (fiquei a saber dela num boletim da DGEstE), temos este álbum de banda desenhada, que ficou a cargo de João Santos e Miguel Jorge, autor de BD e também editor da Apocryphus, um dos melhores e mais consistentes projetos editoriais de banda desenhada portuguesa. https://bandasdesenhadas.com/2020/10/19/a-viagem-mais-longa/

Wings Of The Hell Diver: Parece-me que àquela altitude, os pilotos estão em modo kamikaze. https://pulpcovers.com/wings-of-the-hell-diver/

Book Review: The Wind From Nowhere, J. G. Ballard (1962): Não é dos melhores livros de Ballard, mas inaugurou a sua série de romances-catástrofe, que exploraram o lado mais surreal da ficção científica. https://sciencefictionruminations.com/2020/10/17/book-review-the-wind-from-nowhere-j-g-ballard-1962/

Tecnologia


Chaos and Cathode Rays: Uma análise à obra de vanguarda de Nam June Paik, um dos precursores das artes digitais, com as suas experiências estéticas com eletrónica e televisores. https://www.nybooks.com/articles/2020/10/22/nam-june-paik-chaos-cathode-rays/

GANksy: disturbing AI-powered street art: Treinar uma IA no estilo dos graffittis de Banksy dá resultados... intrigantes. O passo seguinte poderia ser programar um robot equipado com sprays e soltá-lo nas ruas.
https://boingboing.net/2020/10/15/ganksy-disturbing-ai-powered-street-art.html

To Mend a Broken Internet, Create Online Parks: Uma ideia intrigante. As comunidades virtuais dominadas por empresas não são, realmente, comunidades. Até porque a lógica natural empresarial é crescer financeiramente, não tem incentivos para criar espaços desenhados como livres e seguros. Talvez a resposta a isso esteja no domínio público.  https://www.wired.com/story/to-mend-a-broken-internet-create-online-parks/

Raspberry Pi and Raspberry Pi Spy: This Is How Trademark SNAFUs Should Be Handled: Geralmente, quando estas questões chegam às notícias, é pelas piores razões possíveis, de abusos de detentores de direitos de autor que não têm pejo em trucidar os seus próprios fãs. Mas neste caso, o exemplo é excelente. Quando um site dedicado ao Raspberry Pi foi acusado pela fundação que sustenta este projeto de infringir a sua propriedade intelectual, os responsáveis voltaram a analisar a situação, retiraram a acusação e ainda apresentaram desculpas. Erros acontecem, percebe-se a necessidade de vigiar direitos de autor, mas neste caso, quem os detém percebe que ter uma comunidade vibrante de entusiastas também é importante. https://hackaday.com/2020/10/20/raspberry-pi-and-raspberry-pi-spy-this-is-how-trademark-snafus-should-be-handled/

A deepfake bot is being used to “undress” underage girls: Há meses, um algoritmo que gerava imagens de mulheres nuas a partir de fotos inocentes foi retirado da web. Mas claro que o génio saiu da lamparina. Não surpreende saber que variantes deste algoritmo estão a ser usados para novas formas de pornografia, e formas particularmente repelentes. https://www.technologyreview.com/2020/10/20/1010789/ai-deepfake-bot-undresses-women-and-underage-girls/

Ethernet At 40: From A Napkin Sketch To Multi-Gigabit Links: A Ethernet já faz quarenta anos? Dada a sua quase invisibilidade e ubiquidade, até lhe daríamos mais. Este é o protocolo que, de facto, ligou os computadores das organizações. https://hackaday.com/2020/10/19/ethernet-at-40-from-a-napkin-sketch-to-multi-gigabit-links/

Uvas com Termos e Condições: quando o copyright chega à salada de frutas: Surpreendidos? Nem por isso. Parte dos produtos de consumo agrícola hoje consumidos envolve uma forte dose de manipulação genética, o que torna as características biológicas desses produtos propriedade intelectual de empresas. Isso tem sido mais notório nas sementes, manipuladas para resistirem a pesticidas específicos. https://shifter.sapo.pt/2020/10/uvas-copyright/

Lockheed picks Relativity’s 3D-printed rocket for experimental NASA mission: A Space X é sexy, com os seus projetos que tornaram o acesso ao espaço por privados uma realidade. Mas interessa-me mais a Relativity Space, que está no cruzamento da exploração espacial com a manufatura aditiva. Agora foi escolhida pela Lockheed para desenvolver um veículo orbital de testes para a NASA. O objetivo é testar diferentes sistemas de gestão criogénica de fluídos, e o veículo terá de ter espaço para as diferentes versões. Claramente, um desafio à altura da impressão 3D de naves espaciais. https://techcrunch.com/2020/10/19/lockheed-picks-relativitys-3d-printed-rocket-for-experimental-nasa-mission/

Fokker’s Synchronizing Gear And The Birth of Fighter Planes: O avião de caça parecia uma ideia impossível, algo deselegante, só capaz de combater graças a um artilheiro. Nos primeiros tempos, a trocarem literalmente tiros de pistola e espingarda. Isso mudou quando o holandês Anthony Fokker desenvolveu o primeiro sistema de sincronização, que permitia ao piloto disparar através das suas hélices. E o resto, é a história letal e fascinante dos ases do combate aéreo. https://www.amusingplanet.com/2020/10/fokkers-synchronizing-gear-and-birth-of.html

Attempting to Generate Photorealistic Video With Neural Networks: Intrigante, usar a GAUGan da Nvida para criar vídeo. Um trabalho de paciência, porque este algoritmo foi desenvolvido para gerar imagens realistas, e não vídeos. https://hackaday.com/2020/10/17/attemping-to-generate-photorealistic-video-with-neural-networks/

In Singapore, Facial Recognition Getting Woven Into Everyday Life: Em Singapura, o estado-nação onde impera o autoritarismo benévolo, não há preocupações com privacidade do indivíduo face ao estado. Tecnologias que na tradição de liberdade das democracias liberais parecem ser excessivamente invasivas, por lá são aplicadas. https://www.nbcnews.com/tech/tech-news/singapore-facial-recognition-getting-woven-everyday-life-n1242945

Society of Vertebrate Paleontology forbid the word "bone" during online conference: Agruras da filtragem automática. Há tempos, numa instituição com que colaboro, reparei que na sua plataforma de e-learning a palavra computador era substituída por asteriscos. Demorei a perceber. A causa é um filtro que evita palavras ofensivas, que se torna compreensível porque a plataforma também tem sido usada extensivamente por alunos do ensino básico. Mas os sistemas de filtragem têm sempre destas incongruências. https://boingboing.net/2020/10/16/society-of-vertebrate-paleontology-forbid-the-word-bone-during-online-conference.html

Modernidade


On a moonlit night: witchcraft in rural Portugal – in pictures: Um brilhante e algo tenebroso mergulho fotográfico nas tradições milenares do sobrenatural no interior português. https://www.theguardian.com/artanddesign/gallery/2016/oct/20/tito-mouraz-the-house-of-the-seven-women-photography

We May Never Know the Full Story of COVID-19: Teorias da conspiração à parte, o nível de supressão de informação das autoridades chinesas é tão elevado que factos fundamentais para se conhecer a origem da pandemia nunca serão conhecidos. https://www.theatlantic.com/ideas/archive/2020/10/we-may-never-know-full-story-covid-19/616716/

How the needs of monks and empire builders helped mold the modern-day office: Dos hábitos de trabalho monacais aos primeiros gabinetes burocráticos, as origens de um dos elementos mais comuns do trabalho na era contemporânea.
https://theconversation.com/how-the-needs-of-monks-and-empire-builders-helped-mold-the-modern-day-office-146390

A Sé Catedral de Lisboa: um percurso iniciático: Mergulho profundo nos simbolismos arquitetónicos e artísticos da Sé de Lisboa. https://casadasaranhas.com/2020/10/16/a-se-catedral-de-lisboa-um-percurso-iniciatico/

The coronavirus could be here to stay. Your privacy may be another victim.: Por cá, estamos a ter os primeiros indícios disto com a ameaça de tornar a app Stayaway Covid obrigatória, com fiscalização e sanções para quem não a tiver instalada. Apesar desta óbvia tropelia constitucional, é razoável assumir um certo nível de confiança nas nossas leis e instituições para que soluções de monitorização tecnológica no âmbito da pandemia não se tornem intrusivas e discriminatórias. Este artigo explora algumas formas, que já estão a acontecer, de como as boas intenções geram situações infernais. https://mashable.com/article/privacy-in-the-age-of-coronavirus/?europe=true

On colonial mindsets and the myth of medieval Europe in isolation from the Muslim world: Um belíssimo takedown à ideia de uma europa medieval isolada e retrógrada. https://going-medieval.com/2020/10/16/on-colonial-mindsets-and-the-myth-of-medieval-europe-in-isolation-from-the-muslim-world/

Uma digestão da discussão sobre a app StayAway Covid: entre a crítica, a condenação e a contextualização: Instalou-se a polémica, os argumentos debatidos afastam-se do verdadeiro cerne da questão - a obrigatoriedade da app representa um forte atentado à liberdade e privacidade individual, mas discute-se o maseentãoismo de uma suposta incongruência em usar apps que partilham dados e recusar esta, e confesso que me arrepia ver tantos tranquilos com a invasividade disto, bem como a defender o autoritarismo. https://shifter.sapo.pt/2020/10/stawaycovid-digestao/

A cultura partilhada que não se pode partilhar: O problema da extensão temporal dos direitos de autor. Protege lucros de algumas propriedades intelectuais específicas (a Disney é caso paradigmático, literalmente, porque uma das leis americanas de extensão de direitos de autor chama-se mesmo Mickey Mouse Act). O problema é que complica enormemente a difusão da cultura. O resultado? O esquecimento massificado de obras que por não terem elevado interesse comercial, não são reeditadas e só podem ser encontradas em mercados de segunda mão.  https://interruptor.pt/artigos/a-cultura-partilhada-que-nao-se-pode-partilhar

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Comics: The Boys

Garth Ennis, Darick Robertson (2019). The Boys Omnibus Vol. 1. Runnemede: Dynamite Entertainment.

Não é a primeira, mas é a mais longeva desconstrução crítica e escatológica dos mitos dos super-heróis. The Boys é implacável no humor e na violência. No seu mundo, os super-heróis são aparentemente uma força para o bem, mas na realidade não passam de indivíduos degenerados com super-poderes, que lhes são conferidos por substâncias químicas. As histórias brilhantes de origens miraculosas ocultam, na verdade, o terem sido criados em laboratórios. A sua aparência é impecável, sempre reforçada por estratégias de marketing, mas a sua conduta oscila entre o desastroso e o incontrolável. São, essencialmente, peças no xadrez económico e político, servos super-poderosos das empresas que os criaram, demasiado apreciadores dos luxos da vida poderosa para realmente usarem os seus poderes para dominar o mundo. E muito ineficazes quando realmente os usam fora das coreografias orquestradas.

The Boys são os únicos que os super-heróis realmente temem. Os Boys também têm poderes, que adquiriram para melhor cumprir a sua função: manter os heróis na linha, com extremo prejuízo. Com apoio de algumas agências secretas que se tentam opor ao domínio empresarial sobre governos, o discreto e de aparência normal  grupo de operacionais não hesita em punir os mais famosos heróis, sempre da forma mais violente e humilhante. Ajuda o terem sido, no seu passado de alguma forma vítimas da incompetência dos heróis. Ou, pelo menos, o puro gozo de meter no lugar seres que se julgam mais que humanos.

Garth Ennis não poupa na escatologia nesta sua desconstrução do simplismo banal dos super-heróis. O humor é fortíssimo, a violência e o comprazer na degeneração não lhe ficam atrás. O único paralelo que encontro, de inverter as premissas morais do género, é em Marshal Law de Pat Mills e Kevin O'Neill.


Garth Ennis, Darick Robertson (2019). The Boys Omnibus Vol. 2. Runnemede: Dynamite Entertainme

The Boys não é exatamente humor subtil. Bem pelo contrário, compraz-se no absurdismo violento, na piada fácil e na caricatura do ridículo. Não desmonta as iconografias da indústria dos super-heróis de forma subtil. Antes, é tipo bola de demolição e dinamite. E é por isso que é tão bom ler este comic. Ennis vai levando a sua história, enquanto parodia as super-equipes (nem sei qual a melhor sátira, se a longa piada com a estética e bases conceptuais dos X-Men, se com um grupo de heróis com necessidades especiais). Mantém uma backstory com uma ligação amorosa entre o mais inocente dos caçadores de heróis e uma relutante super-heroína, sem que nenhum deles saiba realmente o que faz. Claro que a situação vai dar explosão. E, avisando-nos que os mitos de super-seres benévolos encerram em si raízes totalitárias, vai levando a história numa direção em que os heróis, fartos de se fingirem bonzinhos, estão a preparar-se para assumir as suas capacidades.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

The Medusa Chronicles

 Alastair Reynolds, Stephen Baxter (2016). The Medusa Chronicles. Londres: Gollancz.

Um livro curioso. Baxter e Reynolds são dos melhores praticantes contemporâneos da arte da FC Space Opera. Nesta colaboração, cruzam a sua voz e talentos para uma homenagem a Arthur C. Clarke. De certa forma, este livro é uma enorme fan fiction. Mas como os fãs são autores de primeira linha, a qualidade da leitura é garantida. O ponto de partida é o conto clássico A Meeting With Medusa, onde Clarke explorou a ideia de vida na camada superior da atmosfera de Júpiter. A narrativa tem um sabor desconexo, os autores adaptam a sua linguagem narrativa própria ao estilo de Clarke, o que é um pouco desconcertante para quem conhece estes três escritores.

Baxter e Reynolds pegam nesse início e levam a coisa como só amantes da Space Opera poderiam levar.  A história do comandante Falcon, tornado um cyborg experimental após ser o único sobrevivente de um grave acidente, com a sua mecanização a ser a forma de poder explorar o ambiente de Júpiter, é expandida até atingir níveis cósmicos. Explorador da atmosfera jupiteriana, foi o descobridor das gigantescas criaturas inteligentes que vivem nessa atmosfera. Quase imortal, Falcon acompanha o desenvolvimento da civilização humana, da sua expansão pelo sistema solar. Também assiste, e de certa forma incentiva, ao dealbar da consciência artificial das máquinas inteligentes.  Estas máquinas inteligentes, que evoluem a partir dos robots criados pelos humanos, depressa criam a sua própria civilização e, vendo-se como uma evolução da humanidade, são implacáveis na expansão do seu domínio pelo sistema solar. O que dará origem a uma violenta e interminável guerra, que transforma a utopia futurista de uma civilização benévola multi-planetária, uma federação de planetas e colónias em luas e asteróides, num estado militarista obcecado com a aniquilação de um inimigo que, devido à sua natureza artificial, persegue objetivos incompreensíveis aos humanos.

Como ser que está entre o humano e máquina, e progressivamente neutro devido à longevidade, Falcon é muitas vezes usado como emissário entre as facções beligerantes. É graças a isso que o vasto panorama de uma space opera intra-solar se desvenda, e digo-vos. aguardam-vos o tipo de ideias que deixam os fãs a salivar. Terraformação marciana, colonização das atmosferas de Júpiter e Saturno, destruição de planetas por máquinas inteligentes, as expectáveis intrigas, e poderia continuar. O final é quase surreal, com Falcon e a primeira máquina inteligente de todas a caírem em direção ao centro de Júpiter. O que lá encontrarão irá mudar o destino das civilizações do sistema solar: uma forma de vida inteligente, capaz de manipular o próprio tecido do universo, e a revelação que existem formas de vida similares espalhadas pelo universo. Dá vontade de haver uma continuação destas crónicas. 

domingo, 22 de novembro de 2020

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Esta semana, destacamos a edição completa de Providence, o fantástico português apresentado na Eurocon, e a nova temporada de The Expanse. Na tecnologia, fala-se da acelaração de substituição da mão de obra humana por sistemas autónomos, de enxames de robots pintores, e das tropelias da app portuguesa de rastreamento de contactos. Ainda se reflete sobre as problemáticas heranças do neoliberalismo, dos narizes das estátuas egípcias, e do Codex Seraphinianus. Esta é uma pequena amostra das leituras intrigantes nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

Alan Moore's Complete Providence Compendium – Order Now: Shut up and take my money. Providence é das mais profunda homenagens literárias a H.P. Lovecraft, uma tremenda história onde Moore entretece elementos dos diferentes contos que compõem os Cthulhu Mythos. Uma edição coligida e anotada é uma prenda perfeita de natal. https://bleedingcool.com/comics/order-now-for-alan-moore-and-jacen-burrows-providence-compendium/


Islands Of Space: E por falar em bizarros fatos de astronauta... https://pulpcovers.com/islands-of-space/

The Dangers of Cynical Sci-Fi Disaster Stories: Porque precisamos de FC otimista? As histórias que contamos ajudam a modelar a visão que temos do mundo. https://slate.com/technology/2020/10/cory-docotorow-sci-fi-intuition-pumps.html


Kevin Johnson’s 1989 cover to Ray Bradbury’s The Toynbee...: Futurismo urbano clássico. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631865642955440128/kevin-johnsons-1989-cover-to-ray-bradburys-the

johnny-dynamo:Campy Creatures by Emrich Office: Clássicos intemporais. https://johnny-dynamo.tumblr.com/post/631355050897326080/campy-creatures-by-emrich-office

The Marvellous Mod World of Sci-Fi Supermarionettes: Acho que pertenço a uma geração que cresceu a ver isto na televisão, mas na altura não lhes dava valor. A rigidez destas marionetes não conseguia competir com o dinamismo dos cartoons de Tex Avery que Vasco Granja passava entre animações do leste europeu (outra coisa que na altura considerava um tédio, e agora compreendo a sua riqueza). Agora, mais conhecedor da complexidade da cultura Geek, aprecio o trabalho do casal Anderson, com as suas marionetes e cenários cheios de estilo. https://www.messynessychic.com/2018/09/05/the-marvellous-mod-world-of-sci-fi-supermarionettes/

Portuguese Fiction – an Eurocon Presentation: O fantástico português esteve representado - e bem, na mais recente Eurocon. O portal de FC e F partilha a apresentação da Cristina Alves, que é uma excelente introdução às vertentes do fantástico português. https://theportugueseportal.wpcomstaging.com/2020/10/09/portuguese-fiction-an-eurocon-presentation/


Peter Elson: Em aterragem. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631310747560984576

Aesthetipunk: The Product Design of Ikeuchi Hiroto: O grafismo cyberpunk traduzido em objetos. https://www.sci-fi-o-rama.com/2020/10/07/aesthetipunk-the-product-design-of-ikeuchi-hiroto/


Bob Layzell: Space opera pura. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631412684117721088

The future of the Belt has begun in first trailer for The Expanse S5: Das melhores séries contemporâneas de Ficção Científica. E, como a série televisiva é fiel aos livros, digo-vos como leitor, mas sem querer fazer spoilers, que esta nova temporada irá ser de perder o fôlego. https://arstechnica.com/gaming/2020/10/trailer-for-the-expanse-s5-makes-its-debut-at-new-york-comic-con/

Tecnologia



The Germ-Hun: Um belíssimo exemplo, com cem anos, do tipo de discurso enviesado, de fake news, ou extremismo político que hoje prolifera de forma assustadora nas redes sociais. Pois, as redes sociais e internet não vieram inventar nada no que toca a isto, apenas acelerar e aumentar o volume. http://www.weirduniverse.net/blog/comments/the_germ_hun#When:08:14:00Z

Here’s your first look at Boom Supersonic’s faster-than-sound XB-1 demonstrator aircraft: O Concorde é agora peça de museu, mas o sonho de transportes supersónicos está de novo no ar. O foco não será o mercado do transporte aéreo de massas, mas sim os nichos empresariais. Será que voltaremos a ver jatos civis supersónicos nos ares? https://techcrunch.com/2020/10/07/heres-your-first-look-at-boom-supersonics-faster-than-sound-xb-1-demonstrator-aircraft/

La Unión Europea declara ilegal la recolección general e indiscriminada de información a través de móviles e internet: Mais um tiro na eterna guerra entre a UE e os abusos da sociedade digital. Agora, é a colheita de informação indiscriminada que está proibida. Mais uma legislaçáo que complementa o RGPD. https://www.xataka.com/moviles/union-europea-declara-ilegal-recoleccion-general-e-indiscriminada-informacion-a-traves-moviles-e-internet

Does Social Media Poison Everything?: Bem, em parte. As redes sociais são notórias pelo aproveitamento que fazem do pior, para garantir atenção (e com isso rendimentos publicitários). Mas, pessoalmente, não vejo as redes sociais como vilões. É deprimente admitir isto, especialmente se se for humanista, progressista e otimista, mas as redes sociais funcionaram como espelho da humanidade. E a imagem refletia é tenebrosa. Afinal, não somos tão bons, social e eticamente evoluídos como se julgava. http://nautil.us/blog/does-social-media-poison-everything

SpaceX Is Building a Military Rocket to Ship Weapons Anywhere in the World: Hey, as promessas da exploração espacial privada são enormes, mas como se sabe o dinheiro a sério está no sector militar. Resmungo à parte, estou curioso com este projeto da SpaceX, para transporte muito rápido de cargas para qualquer ponto do planeta. https://futurism.com/spacex-building-military-rocket-to-ship-weapons-anywhere-world

Building The Jetson's House: Não num sentido literal. Mas mostrando como algumas tecnologias de hoje já fazem aquilo que o futurismo dos The Jetsons imaginava nos anos 60. https://www.reddit.com/r/Futurology/comments/j6j11a/building_the_jetsons_house/

Millions of Americans Have Lost Jobs in the Pandemic—And Robots and AI Are Replacing Them Faster Than Ever: Não há aqui grande surpresa, a tendência de substituir todo o tipo de trabalhos rotináveis por bots, IA e robots apenas se acelerou com a pandemia. O que torna ainda mais gritantes as questões sociais que isto levanta. O que fazer aos trabalhadores tornados redundantes, substituídos por máquinas? Sendo um artigo americano, o panorama é negro. Especialmente quando os empregadores referem que a grande vantagem das máquinas é não precisarem de descanso, pausas para comer ou dias sem trabalhar. Ou seja, gostariam de negar aos seus trabalhadores aquilo que são direitos mínimos fundamentais. Este não é o caminho. A substituição de empregos por robots é uma tendência natural, que deveria servir para potenciar, e não para tornar redundante parte da humanidade. https://time.com/5876604/machines-jobs-coronavirus/

Can Robots Help People With Their Mental Health?: As ferramentas de inteligência artificial já podem ser úteis no tratamento de doenças mentais. A questão é, queremos que sejam uma ferramenta terapêutica, ou uma substituição do papel do psicólogo ou psiquiatra https://www.vice.com/en/article/qj4g3m/robot-ai-tech-mental-health-therapist-psychiatry-anxiety-depression-treatment

Various first words: Para mim, a melhor é mesmo a da Arpanet (o dealbar da internet). Bug ao terceiro caractere. http://interconnected.org/home/2020/10/12/first_words

Room-temperature superconductivity has been achieved for the first time: Isto pode ser revolucionário, no que toca à transmissão de energia. O uso de supercondutividade tem sido um dos grandes objetos de investigação, e parecemos estar finalmente próximos de materiais capazes de assegurar supercondutividade à temperatura ambiente. https://www.technologyreview.com/2020/10/14/1010370/room-temperature-superconductivity/

Browser Makes Tiny Office Suite: Office? Libre Office? Google Workplace? Nah, quero mesmo é usar esta minúscula suite de office, escrita sobre html e que, apesar de ser muito simples, é estranhamente funcional. https://hackaday.com/2020/10/13/browser-makes-tiny-office-suite/

Robot swarms guided by human artists could paint colourful pictures: Mais um projeto de investigação que cruza artes e robótica. Estes cientistas estudam comportamentos de enxame e diretividade de um criador, no desenvolvimento de robots pintores. https://www.newscientist.com/article/2256803-robot-swarms-guided-by-human-artists-could-paint-colourful-pictures/

Uma app pode ser obrigatória? Mas ter telemóvel é obrigatório? E dados móveis? E o bluetooth ligado?: A ideia de tornar o uso da app de rastreamento Stayaway Covid levanta imensas dúvidas. Vamos passar a ter patrulhas da GNR a mandar parar para verificar o telemóvel? Diretores de turma a verificar se os alunos têm a app instalada? Superiores hierárquicos a exigir ver o telefone dos funcionários para atestar que a app está instalada? E a questão fundamental: as democracias só conseguem combater a pandemia com medidas autoritárias? https://shifter.sapo.pt/2020/10/stayaway-covid-obrigatorio/

Modernidade


Codex Seraphinianus: Luigi Serafini's Guide to An Alien World: Uma enciclopédia alienígena, criada como projeto artístico nos anos 70. Bizarro, surreal e psicadélico quanto baste, e de certa forma uma piada elegante sobre o Manuscrito de Voynich? https://www.juxtapoz.com/news/news/codex-seraphinianus-luigi-serafini-s-guide-to-an-alien-world/

Liberalism and Its Discontents: Mais do que a crise das democracias, ameaçadas pelas forças autocráticas, temos uma crise do liberalismo. Em parte, provocada por causas externas. Mas também, pela desvirtuação da base humanista de princípios liberais que estimulam a diversidade e liberdade para agendas económicas que tiveram como consequência prática o agudizar de desigualdades, o alastrar da insegurança e o erodir das bases sociais que garantem dignidade aos cidadãos. https://www.americanpurpose.com/articles/liberalism-and-its-discontent/

Political Economy After Neoliberalism: Depois de décadas de desinvestimento público, encolhimento do papel dos estados na economia, a pandemia fez-nos perceber que isso foi um erro. Estamos pior preparados do que estaríamos se houvesse um real equilíbrio entre público e privaod, quer para combater a pandemia quer para suster os tremendos efeitos económicos. Claro que antes da pandemia houve uma série de crises económicas motivadas pela corrupção trazida pela desregulação do sistema financeiro, mas sobre isso quem se importa, até porque os estados suportaram os custos da queda das instituiçõas? Neste artigo, fala-se de novas propostas de pensamento político em economia, que levem em conta o que realmente funciona para o progresso e não o dogmatismo de escolas de pensamento. https://bostonreview.net/class-inequality/neil-fligstein-steven-vogel-political-economy-after-neoliberalism

Thoughts on Immensity: Estamos tão habituados às imagens do espaço que já nem pensamos nisto. A ideia de imensidão, da vastidão dos espaços estelares. https://www.centauri-dreams.org/2020/10/08/thoughts-on-immensity/

There's a word for senior men who pass the time watching construction sites: Fiquei algo surpreendido com um recente Dylan Dog que li, onde parte dos personagens eram velhotes que passavam os dias a observar estaleiros de obras. Agora percebi a lógica. Em Itália, passar o tempo nisto é uma cena, e até têm um nome para isso. https://boingboing.net/2020/10/07/theres-a-word-for-senior-men-who-pass-the-time-watching-construction-sites.html

Google Arts & Culture app lets you turn yourself into a Van Gogh painting: É uma app discreta, mas que tem componentes muito interessantes de realidade aumentada aplicada à cultura. A novidade mais recente? E que tal filmarem-se com estilo Van Gogh? https://www.engadget.com/google-arts-and-culture-app-art-filter-170442432.html

The Plague That Saved The World: A Short Course In How Things (Might) Happen: Os momentos de crise trazem consigo convulsões sociais que, a longo prazo, fazem evoluir a sociedade. Qual será a evolução da nossa, assolada a médio prazo pelas alterações climatéricas e a curto pela pandemia https://www.3quarksdaily.com/3quarksdaily/2020/10/the-plague-that-saved-the-world-a-short-course-in-how-things-might-happen.html

Why Are the Noses Broken on Egyptian Statues?: Curiosamente, a razão não se prende com os efeitos do tempo. As razões para os danos das antigas estátuas egípcias são muitas, e variam entre motivos mágicos - destruir a estátua equivalia a destruir a alma do representado, a políticos. https://hyperallergic.com/591628/why-are-the-noses-broken-on-egyptian-statues/

Why Look at Flying Saucers?: Porquê o gosto pela crença em ovnis, lendas urbanas, teorias da conspiração e similares? https://lareviewofbooks.org/article/why-look-at-flying-saucers/

‘We will never leave’: Armenia and Azerbaijan have fought over disputed region for decades: Porque, no meio da pandemia, tínhamos de ter uma guerra. O eterno conflito regional entre a Arménia e o Azerbeijão, agora com ajuda de dinheiros de petróleo e da Turquia, cuja animosidade história para com os Arménios é bem conhecida. https://warisboring.com/we-will-never-leave-armenia-and-azerbaijan-have-fought-over-disputed-region-for-decades/

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Comics: The Last One; Proteus; Rome West

 

J.M. DeMatteis, Dan Sweetman (2009). The Last One. Nova Iorque: Boom! Studios.

Na cidade de Nova Iorque há uma casa que acolhe pessoas perdidas. São resgatadas por um ser, talvez homem, talvez mulher, que lhes sente o potencial e ajuda aqueles que estão a resvalar para o fundo. Um ser angélico, cansado de milénios a calcorrear o mundo, que sente a necessidade - não é missão nem obrigação, de ajudar pessoas que se estão a perder a atingir o seu potencial. Não todas. Tem de haver uma conexão (e fica-se com a sensação que este ser ajudou as mesmas almas em sucessivos milénios). E tem de haver vontade individual. Cada um é livre de traçar o seu destino, mesmo que este o leve ao abismo. J.M. DeMatteis no seu melhor, nos caminhos de um sobrenatural poético e espiritual, com uma história doce e ternurenta, mesmo quando é amarga.  O trabalho de ilustração de Dan Sweetman, mais próximo do plasticismo da pintura do que do espartilho gráfico dos comics, complementa muito bem o argumento.


Chris Claremont, John Byrne, David Stern (2020). X-Men Epic Collection Vol. 6: Proteus. Nova Iorque: Marvel Comics.

E se os leitores acharem estranho todo um volumoso livro sobre o arco narrativo Proteus que, na verdade, das histórias que colige só três estão diretamente relacionadas com o arco... isso é efeito Chris Claremont. Parte do sucesso do seu trabalho como argumentista seminal dos X-Men prende-se como a forma como encandeava arcos narrativos. Cada aventura dos personagens durava três ou quatro edições ds revista, e sempre num ritmo imparável. Mas ao longo das aventuras, Claremont ia deixando vinhetas soltas que preparavam o campo para histórias ainda por vir. Aliás, parte das histórias deste Proteus também pertencem ao arco narrativo Fénix.

Claremont era excelente em aventura imparável e nunca desiludia. Nestas histórias, os X-Men vão saltando de aventura em aventura, entre o murderworld de Arcade, oJapão (onde se começa a lançar as sementes de todas as futuras histórias asiáticas de Wolverine), a terra antártica esquecida de Ka-zar, ajudam civilizações de dimensões paralelas, enfrentam Magneto sob um vulcão e cruzam lutas no Canadá com uma Alpha Flight encarregue de recuperar Wolverine. Há linhas de continuidade, um aprofundar do caráter e camaradagem dos heróis inadaptados, e o recorrente conflito entre capacidades e confiança que ditou muito do trabalho de Claremont. Encerra com a luta contra Proteus, o único mutante que os X-Men se vêem forçados a matar. A amoralidade com que usa os seus perigosos poderes de distorção da realidade tornam este mutante uma ameaça demasiado grande, um que o esforço de redenção dos X-Men não consegue salvar. Ter poderes de distorção do real é uma excelente desculpa para vinhetas surreais, e os ilustradores não desiludem. 

Brian Wood, Justin Giampaoli, Andrea Mutti (2018). Rome West. Milwaukie: Dark Horse.

Um delicio e se. E se... uma armada romana tivesse sido apanhada pelas tempestades do atlântico e ido dar à costa da américa do norte? É essa a premissa de Rome West, uma divertida história alternativa onde náufragos fundam uma nova Roma a ocidente. Com a desvantagem dos números, os legionários optam pela mescla de culturas, e os valores e tecnologia romanos cruzam-se com a ancestralidade das tribos índias. O resto é história, alternativa, claro. Quando Colombo chega às américas, o novo e o velho mundo voltam a cruzar-se, mas com índios civilizados que falam latim e são capazes de rechaçar as tentativas de invasão espanhola. E assim evolui todo um novo mundo, feito de misturas de etnias, culturas e países. Os americanos têm como uma das premissas do seu nacionalismo o serem uma espécie de Nova Roma, e estas histórias levam essa premissa aos campos da história alternativa.


terça-feira, 17 de novembro de 2020

An Atlas of Extinct Countries


Gideon Defoe (2020). An Atlas of Extinct Countries. Fourth Estate.

Como fã que sou de anacronismos históricos e geográficos , nunca consigo resistir a este tipo de livros. Este não desilude, falando talvez num tom demasiado leve e à piada óbvia. Mas se se descontar isso, é um belíssimo apanhado de geografias extintas. Países de existência longa ou fugaz, acidentes da história, distrações geopolíticas, vítimas da ambição de vizinhos poderosos, alucinações coletivas ou trapaças elaboradas montadas por vigaristas, alguns deles firmes crentes na possibilidade de serem, realmente, monarcas de locais esquecidos no mapa. Este é daqueles livros que se lê mais pelo que se intui da leitura, do que pelo conteúdo em si. Cada uma destas pequenas histórias é um um romance em potencial, de histórias nobres, rocambolescas ou tristes.

domingo, 15 de novembro de 2020

URL

Esta semana, fala-se de sequências geniais de animação, de Grant Morrison a propor episódios de Doctor Who, e da continuidade da série clássica Os Passageiros de Vento. Também se descobre os rascunhos ocultos sob a Mona Lisa, Inteligência Artificial aplicada à língua gestual e o padre galego que se dedicava aos autómatos. Ainda se reflete sobre os enormes desafios que os dias de hoje representam para a sociedade global, e de como será a possível futura liderança global chinesa. Mas para além destas, outras leituras vos aguardam nas Capturas.

Ficção Científica e Cultura Popular


Alfred Kelsner: Space opera pura. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631276782932361216

The 100 Sequences That Shaped Animation: Têm... tempo? Têm... muito tempo? Então acomodem-se, e partam à descoberta desta soberba lista dos cem melhores momentos da história do cinema de animação. https://www.vulture.com/article/most-influential-best-scenes-animation-history.html

Idade Média Brutal e Poética: Do muito trabalho de excelência que podemos encontrar na BD francesa, a série Os Companheiros do Crepúsculo de Bourgeon é uma das que está no topo. Agora que, após mais de vinte anos sobre os primeiros álbuns da série, esta está a ser continuada, o Bandas Desenhadas recorda o trabalho deste grande autor de BD. https://bandasdesenhadas.com/2020/10/05/idade-media-brutal-e-poetica/

Chuck Tingle offers free downloads of his healthy, coronavirus-conscious surrealist gay sci-fi erotica eBooks: Confesso que nunca li... mas o fator bizarria deste autor é tão, tão elevado que não ponho de parte a experiência literária. Acho que uma IA a escrever não se sairía tão bem. https://boingboing.net/2020/10/05/chuck-tingle-offers-free-downloads-of-his-healthy-coronavirus-conscious-surrealist-gay-sci-fi-erotica-ebooks.html

Doctor Who: Grant Morrison Pitched Eps, Has "Whole Season Worked Out": Confesso que o fanboy em mim ficou intrigado com aquilo que o argumentista propôs à BBC. É que, sabem (se náo forem geeks não sabem), Grant Morrison é famoso pelo absoluto psicadelismo dos seus argumentos. Nele, a expressão on acid não é adjetivo, é substantivo. Imaginar Doctor Who em bizarrias morrisonianas... digamos que poderia funcionar. Poderia funcionar muito bem. https://bleedingcool.com/tv/doctor-who-grant-morrison-pitched-eps-has-whole-season-worked-out/

A History of Horror Films: É uma série um bocadinho excessivamente centrada no cinema anglo-americano. O italiano é despachado com uma única menção a um filme de Bava, nos primórdios nem sequer se menciona o papel fundamental dos expressionistas alemães - um documentário que fale sobre os primórdios do cinema de terror que não refira Nosferatu tem uma falha óbvia, e deixa totalmente de fora a gloriosa tradição exploitation espanhola. O foco é a jornada de Mark Gatiss, argumentista da BBC, ao longo dos filmes que o fizeram apaixonar-se pelo cinema de terror. Vale a pena o percurso. https://divers-and-sundry.blogspot.com/2020/10/a-history-of-horror-films.html

This Twitter Thread Delivers A Concise History Of Meta-Gags In Animation: A técnica chama-se quebrar a quarta parede, cortando a ilusão e enfrentando diretamente o espetador. E, na animação, tem um longo e hilariante historial. https://www.cartoonbrew.com/classic/this-twitter-thread-delivers-a-concise-history-of-meta-gags-in-animation-197257.html


The Cosmic Courtship: estilos retrofuturistas. https://pulpcovers.com/the-cosmic-courtship/


Vincent Di Fate’s 1990 cover art to Voyage to the Red Planet: Clássicos da Ficção Científica. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631038950280134656/vincent-di-fates-1990-cover-art-to-voyage-to-the


Photo: Exploradores interplanetários. https://70sscifiart.tumblr.com/post/630993658485882880


1975 cover art by Gordon C. Davies for Starship Troopers: Típico Gernsback continuum. https://70sscifiart.tumblr.com/post/631005001153740800/1975-cover-art-by-gordon-c-davies-for-starship

Science fiction, 1931: Olhem para os temas, e... muitos são os mesmos da Ficção Científica de hoje. Não significa que o género esteja obsoleto ou incapaz de se renovar. Apenas, que estas questões continuam a intrigar-nos, a ser misteriosas, ou possibilidades ainda não atingidas. https://brucesterling.tumblr.com/post/630960432797106176/science-fiction-1931

Futuricon – Presenting two sessions: Uma excelente notícia. Portugal irá estar representado na Futuricon, com a Cristina Alves e o Carlos Silva a apresentar o que de cá se faz nos domínios da ficção fantástica. https://theportugueseportal.wpcomstaging.com/2020/10/01/futuricon-presenting-two-sessions/


t-rexasaurus: Masashi Iwasaki, from JCA Annual 7 (1987): Surrealismo Sci-Fi nipónico. https://t-rexasaurus.tumblr.com/post/622665094224052224/masashi-iwasaki-from-jca-annual-7-1987

The 10 Worst Fictional Small Towns to Get Stuck In: De facto, ir ao mergulho nas águas que banham Crystal Lake pode ser mortífero, especialmente se se for adolescente com propensão para desnudar seios. Entre estas cidades ficcionais onde viver faz mesmo muito mal à saúde, deteto uma falta grave: e Eerie, Indiana? https://io9.gizmodo.com/the-10-worst-fictional-small-towns-to-get-stuck-in-1845107701

Tecnologia 


Retrotechtacular: The $5,000 40 Pound HP Classroom Computer: Parece-se com uma calculadora, mas era o topo da informática educacional nos anos 70.  https://hackaday.com/2020/10/02/retrotechtacular-the-5000-40-pound-hp-classroom-computer/

The Long History of FTP: Um protocolo em vias de extinção, mas que durante os primórdios da internet foi um dos seus pilares. https://blog.adafruit.com/2020/09/30/the-long-history-of-ftp/

A Hidden Drawing Lies Beneath the ‘Mona Lisa,’ New Ultra-High-Resolution Images Reveal: Não é exatamente novidade que por debaixo das grandes pinturas se ocultam vestígios dos esboços, de partes do processo criativo que foram abandonados e pintados por cima. Ou, como os grandes artistas do passado viviam em tempos mais frugais do que os nossos, vestígios de outras obras cujas telas foram reaproveitadas. É sempre interessante ver estas análises de raio-x e multiespectrais, leva-nos a conhecer os caminhos criativos que foram pensados, mas não trilhados. https://news.artnet.com/art-world/mona-lisa-hidden-drawing-photos-1911271

Developing Real-Time, Automatic Sign Language Detection for Video Conferencing: Um projeto intrigante. Usando inteligência artificial, investigadores da Google estão a desenvolver um sistema que permite a um orador em videoconferência falar usando linguagem gestual, com tradução simultânea automática. http://ai.googleblog.com/2020/10/developing-real-time-automatic-sign.html

Should You Build for Windows, Mac, iOS, Android, or Linux? Yes!: Um novo ambiente de programação promete um dos objetivos mais almejados da programação: programar aplicações numa linguagem única, que se adapta a qualquer sistema operativo. https://hackaday.com/2020/10/01/should-you-build-for-windows-mac-ios-android-or-linux-yes/

El cura gallego del siglo XVII que diseñaba autómatas y escribió el primer libro sobre ellos en España: Uma intrigante história sobre um discreto padre galego que, no século XVII, se dedicava a estudar mecanismos e autómatos. https://www.xataka.com/historia-tecnologica/cura-gallego-siglo-xvii-que-disenaba-automatas-escribio-primer-libro-ellos-espana

The UK Didn’t Realize How Bad COVID Had Gotten Because of an Excel Screwup: Da incredulidade. Usar Excel para coligir dados para uma base de dados crítica, massiva e sensível? Para os mais dados a pormenores técnicos, é de notar que o erro se deu quando alguém abriu ficheiros CSV numa versão antiga do Excel e, com isso, perdeu dados. https://futurism.com/uk-covid-excel-screw-up

Facebook says it will extend its QAnon ban: Leio esta notícia e recordo os tempos inocentes dos primórdios da internet, quando a ideia de bloquear conteúdos parecia criminosa, indo contra o espírito de livre partilha de ideias do mundo online. Infelizmente, estamos agora mais endurecidos, especialmente depois de anos com as redes sociais em modo fogo florestal descontrolado, servindo (e servindo-se para despertar interesse) de plataforma de divulgação de discurso extremista e teorias da conspiração. Estas até parecem simpáticas quando restritas a pequenos grupos, mas tornam-se problemáticas quando alastram. https://www.technologyreview.com/2020/10/06/1009561/facebook-qanon-ban/

Modernidade

Welcome to the 21st Century How To Plan For The Post-Covid Future: Não, não é uma gripezinha (acho que já todos perceberam isso). Não, não há curas milagrosas a curto prazo (é essa a ilusão que correntemente nos anima). Mas não estamos tramados. Apenas, aquele mundo que conhecemos e tomámos como certo vai mudar. De que forma? Como será o futuro? Isso, estaremos cá para o construir.  O texto começa assim, e só melhora: "We are entering the century of being blindsided by things that we have been warned about for decades but never took seriously enough to prepare for, the century of lurching from crisis to crisis until, at last, we shake ourselves from the illusion that our world will go back to the comfortable way it was and begin the process of rebuilding our society from the ground up". Das melhores análises que li sobre impacto a curto e médio prazo da pandemia, e daquelas que mostra pistas e otimismo para o futuro.  https://www.oreilly.com/tim/21stcentury/

Understanding how Covid spreads: it’s about averages and bursts: O foco está no muito divulgado R0, a quantidade de pessoas que um infetado irá infetar. Mas a análise aos surtos revela um padrão de infeções mais próximo da lei de Pareto - não se trata tanto de um infetado que infeta outro, em sucessão, mas alguns infetados que, em contextos específicos (espaços fechados, eventos, falta de proteção) infetam muitos outros. Talvez mais importante que a taxa de transmissão, seja perceber a razão de dispersão, o que nos ajudaria a tomar medidas de mitigação mais eficazes. https://www.theatlantic.com/health/archive/2020/09/k-overlooked-variable-driving-pandemic/616548/

Can We Still Go to Mars?: Num mundo em crise, ainda fará sentido sonhar com a exploração espacial? Sim, por todas as razões. E mais uma. As crises são passageiras, por muito que nos custe vivê-las. Já o desenvolvimento humano, o investimento científico e tecnológico, serão permanentes. https://www.theatlantic.com/science/archive/2020/10/mars-pandemic-future-nasa-spacex/616566/

COVID-19 and Acedia: Aquele sentimento de adormecimento que se mistura com o medo, ansiedade e surpresa pela volta inesperada que o mundo levou? Tem um nome, acedia. https://www.schneier.com/blog/archives/2020/10/covid-19-and-acedia.html

Thirty glorious years: O momento de prosperidade e equilíbrio social que se seguiu à II guerra teve um princípio fundamental - do capitalismo como instrumento da democracia, sujeito a regras para beneficiar a sociedade. Quando esse princípio começou a ser erodido, ainda nos anos 70, dispararam as desigualdades e as assimetrias nas sociedades desenvolvidas, bem como a pressão sobre os sistemas sociais que asseguravam esse equilíbrio. Como a história é criatura que regressa para morder o traseiro daqueles que esquecem as suas lições, o espectro daquilo que os conceptores do estado social e democracia queriam evitar está de volta. Após a II Guerra, quis-se evitar um regresso às condições sociais que levaram ao fascismo e ao comunismo totalitário. Hoje, com as pessoas a sentirem-se inseguras graças à constante erosão das bases sociais e económicas, não é de admirar que os extremismos tenham ganho, novamente expressão e se estejam a tornar forças políticas que usam os meios democráticos para abalar a democracia.  https://aeon.co/essays/postwar-prosperity-depended-on-a-truce-between-capitalism-and-democracy

Last Straw: Movie Chain Closes All Its Theatres After James Bond Movie Postponed: Adoro o ritual de ir ao cinema, mas tenho-me mantido afastado das salas durante a pandemia. Não só pela relutância de partilhar um espaço fechado, mas também devido à minha profissão - o meu risco de exposição ao vírus é superior ao de outras profissões. Temo é que quando, finalmente, puder regressar à magia do ecrã prateado, se calhar não terei cinemas para frequentar. https://www.artsjournal.com/2020/10/last-straw-movie-chain-closes-all-its-theatres-after-james-bond-movie-postponed.html

Thank You for the 7 PM Clapping, But Camaraderie Is Needed More Than Ever - Facts So Romantic: Soa deprimente, mas é bom recordar que estes tempos de pandemia não se vão resolver a curto prazo. A resiliência é mais importante dos que os sentimentos de positividade imediata. http://nautil.us/blog/thank-you-for-the-7-pm-clapping-butcamaraderie-is-needed-more-than-ever

What Happens When China Leads the World: Mesmo com o percalço da covid, está claro que o XXI será o século chinês. A solidificação do poder económico da China, aliada ao óbvio declínio americano e a uma União Europeia que prefere ser regionalista e não globalista, torna isso muito claro. Mas que tipo de liderança global será a chinesa? A sua história imperial, que é bem estudada pelos líderes contemporâneos, mostra algumas dicas. https://www.theatlantic.com/international/archive/2020/10/what-kind-superpower-will-china-be/616580/

The Spanish Navy Is Sailing Two Casks of Sherry Around the Globe: Soa a algo gótico, como o barril de Amontillado, mas este xerez que vai ser envelhecido numa viagem de circum-navegação recupera uma antiga tradição de maturação vinícola. https://www.atlasobscura.com/articles/wine-aged-at-sea