Aquilino Ribeiro (1979). Romance da Raposa. Lisboa: Bertrand.
De volta e meia regresso a este texto, em parte por nostalgia. Foi uma das minhas leituras formativas de infância, mas o gosto na releitura recai sobre a elegância erudita da linguagem do livro. Hoje sei que Aquilino recriou um clássico da literatura europeia, a nossa Salta-Pocinhas pertence a uma tradição literária transgressiva que usa a imagem da raposa para falar da necessidade de rebeldia face às imposições do poder. Algo que se combate com inteligência e esperteza, qualidades que não faltam a esta raposa matreira, capaz de dar a volta e safar-se bem das mais incríveis situações. Este texto, apesar de vir de um outro tempo, mantém aquela frescura que senti aquando da primeira leitura.