Batista, Joana Afonso (2022). Pedro e o Imperador. Lisboa: Polvo.
O ponto de quebra entre a história de Portugal e do Brasil, vista sob a perspetiva ternurenta de um filho assombrado pelo espectro do pai falecido. Pai esse que foi D. Pedro, o gritador do Ipiranga que declarou a independência do Brasil mas abdicou do trono para regressar a Portugal, abraçando a causa liberal nas guerras civis da primeira metade do século XIX, tornando-se rei constitucional. O seu filho herdou o império dos brasis, até abdicar a favor da instauração da república.
A história e os seus factos são o pano de fundo, mas esta história conta-se num diálogo entre um filho a envelhecer, herdeiro de um trono e de um cargo que nunca quis, a viver o ocaso da sua vida entre viagens e o exílio. Sempre acompanhado pelo pai, espírito fantasma que após morrer em Portugal, passa a fazer na morte o que não conseguiu em vida, estar ao lado do seu filho. Note-se que esta não é uma história de terror, a ideia do espírito incorpora uma espécie de diálogo interior de D. Pedro filho, a examinar as suas ações à luz da herança do pai.
Um livro tocante, e confesso, a razão que me levou a pegar nele é ser mais uma obra representativa do excelente traço de Joana Afonso, uma das nossas melhores artistas contemporâneas de BD. A produção deste tomo partiu de um programa de intercâmbio cultural editorial dos dois lados do Atlântico, unindo autores e editoras em livros luso-brasileiros.