Simon Roy (2026). A Star Called the Sun. Portland: Image Comics.
Simon Roy é um dos melhores praticantes da ficção científica na BD contemporânea. Autor independente, distingue-se pelo misto de surrealismo e FC dura nas suas bandas desenhadas curtas, todas um primor de leitura. Não segue os padrões convencionais do género, nem opta pelo lado de espetáculo visual. As suas ficções são reflexões sobre humanismo, tecnologia e o choque de civilizações.
Dennis O'Neill et al (1991). Secret Origins of the World's Greatest Super-Heroes. Nova Iorque: DC Comics.
Para um leitor veterano de comics, houve aqui um regresso ao passado, que trouxe memórias de histórias que já tinha lido. Isto é a DC do princípio dos anos 90, antes da moda dos crossovers infindos e do grimdark, e estas histórias de origem recontam os inícios das personagens clássicas, com o que à época eram novas roupagens. Em Batman não há muita volta a dar, aquele elemento gótico é inescapável, mas noutras personagens, vemos um Superman que só na idade adulta descobre ser o último kryptoniano, um Martian Manhunter em versão policial noir, e embora numa tenha sido dos personagens que me desperta interesse, a origem de Flash - Barry Allen intriga pela sua circularidade numa origem que funciona num laço infindo. Foi também divertido recuperar à tentativa de comics bem humorados escritos por Keith Giffen, que deu um ar de sitcom às aventuras da Liga da Justiça.
Mark Millar, Steve McNiven (2026). Civil War. Lisboa: Atlântico Press.
Aproveitar a recente coleção Must Have por cá editada para revisitar uma série que se tornou estrutural na mitografia Marvel, o conflito entre os maiores heróis que questionou as bases da lógica do género. Talvez das poucas séries que se tenha atrevido a olhar para o que acontece quando super-heróis e vilões chocam entre si, essencialmente destruição quase indiscriminada. A outra, diria, foi o mais leve e algo humorista Damage Control, sobre funcionários camarários que têm como trabalgho limpar os resquícios dos heróis, desde o entulho dos conflitos às teias do Homem-Aranha. Civil War segue o caminho da mediatização e responsabilização social, bem como da instrumentalização das boas intenções pelos governos. A abordagem é eficaz, o que não surpreende, dada a capacidade narrativa de Mark Miller. Confesso, este é um dos argumentistas dos comics que adoro detestar. Tem uma enorme capacidade de tecer narrativas dinâmicas e cinemáticas, com pontos interessantes, mas nunca sai de um registo comercial puro. Nada contra, é o que quer fazer, mas torna-se repetitivo e fica-se sempre a pensar que como criador, poderia ir mais longe.