Confesso-me fã de antigos livros futuristas, que por vezes tenho a boa fortuna de encontrar em alfarrabistas ou feira da ladra. Seduz-me o olhar tecnológico do passado, a forma como extrapolavam estéticas tecnológicas, e aquele otimismo progressita que nos dias de hoje nos parece tão esquivo.
Velhos tempos, em que o Unimate dominava a fabricação de automóveis (um robot industrial que hoje é mera referência histórica, creio), e os Tornado eram aviões modernos. Note-se também aquela visão laboral do robot como quasi-escravo ao serviço das pessoas, um trabalhador que não se cansa, não resmunga e não precisa de salário, e até pode ser programado para estar sempre feliz.
Olho para estes retrofuturismos num misto de nostalgia (parte destes livros vem do meu passado e a sua estética ajudou a formar a minha visão de futuro), e de observação. Por um lado, anotar que todas as tendências que hoje se discutem com enorme alarido como novidade trazida pelas tecnologias de ponta de hoje, já tinham há muito sido identificadas e discutidas (isso, qualquer leitor conhecedor de Ficção Científica sabe-o bem). Por outro, registar o inevitável futuro das nossas correntes predições tecno-futuristas, hoje luminosas e intrigantes, amanhã pitorescas e peculiares na sua obsolescência.