terça-feira, 8 de maio de 2018

Fields of Fire



Marko Kloos (2017). Fields of Fire. Seattle: 47North.

Ficou prometida no livro anterior uma nova aventura, uma operação decisiva contra os invasores alienígenas que ocupam Marte. Este livro cumpre-a, embora Marko Kloos não seja um autor de FC militarista que goste de narrativas fáceis. Haverá de facto um ataque a Marte, mas a colónia não será reconquistada. As únicas vitórias que podem ser reclamadas estão no aniquilar das invencíveis naves extraterrestres em órbita marciana, o salvar de alguns sobreviventes da invasão refugiados no planeta, e a progressiva união entre as diversas nações e blocos terrestres, cada vez mais a colocar as dissensões e velhas rivalidades de lado para empunhar armas contra um inimigo comum.

Parte do livro é a descrição da tremenda batalha na superfície marciana, com Andrew sempre no centro da ação. O objetivo de recapturar o planeta é gorado pelo comportamento adaptativo dos insondáveis alienígenas, que se revelam capazes de aprender e usar as táticas de combate terrestres. Como já é característica nesta série, é acção pura, em escrita escorreita que mantém o interesse do leitor.

Há uma grande vantagem em colocar o ponto de vista narrativo de uma saga de FC no ponto de vista de um soldado no terreno. Com isto, Kloos não tem de se preocupar em desenvolver muito os alienigenas que fazem o centro da premissa da série. São descritos com enormes, quase quadrúpedes, funcionando em manadas e totalmente incompreensíveis. No entanto, ter humanos a combater o que seria comparável a manadas de bois gigantes esgota-se depressa, e Kloos vai-se dando ao trabalho de aprofundar a sua criação. Ficamos a saber que estes aliens têm comportamentos inteligentes, são sensíveis a ondas rádio, e as suas naves são bio-constructos, usando a matéria orgânica dos planetas que capturam para construir novas naves. Acaba por ser um conceito inquietante, a de seres gigantescos quase invulneráveis, com os quais não parece haver forma de comunicar, que exibem comportamentos de enxame e sinais de inteligência, não utilizam tecnologias identificáveis e propagam-se viralmente. Descontando a habitual ideologia de sentido único militarista, este é um dos aspetos interessantes da série, este conceito de que enfrentamos uma espécie extra-terrestre com a qual toda a comunicação é impossível.

Outro aspeto que este livro aborda é a história pessoal dos personagens principais, o intrépido soldado (agora tenente) Andrew e a sua amada esposa, a não menos intrépida piloto Halley. É um mergulho profundo nos estereótipos deste género de ficção, com personagens ocas, ecoando ideais de abnegação militar e sentido de dever acima de tudo, compreendidos apenas por aqueles que também sentem os mesmos apelos. Claro que isto é FC militarista, essencialmente uma boa desculpa para histórias de combate futurista, não podemos esperar dela profundidade psicológica e literária. É narrativa de entretenimento, muito bem feita, divertida e de leitura compulsiva.

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