quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Life 3.0



Max Tegmark (2017). Life 3.0: Being Human in the Age of Artificial Intelligence. Nova Iorque: Knopf.

Um livro que começa com uma das piores distopias bem intencionadas que já li nos últimos tempos, com Tegmark a explanar a sua visão de um grupo benévolo de engenheiros que liberta gradualmente uma inteligência artificial avançada que dá origem a uma era de prosperidade económica e progresso social sem precedentes. A utopia de uns é a distopia de outros e, pessoalmente, arrepiou-me a visão de uma quasi-ditadura oculta benévola que usa todo o tipo de influências para modificar o comportamento humano.

O lado especulativo é mesmo o melhor deste livro. Se pegarem nele olhando para as credenciais do autor como uma obra capaz de dar um panorama sobre o estado da arte e potencial da IA, hoje, desenganem-se. Apesar de abordar algumas questões éticas e económicas, pouco ou nada é dito sobre  atualidade (exceto longos parágrafos sobre as iniciativas que Tegmark está envolvido). Ao especular, lega-nos alguns capítulos intrigantes sobre potenciais, perigos e possibilidades da IA, desde impactos económicos e biológicos até à exploração espacial futura. Sem negar os potenciais perigos da IA (colapsos econónicos, forças menos benevolentes que os engenheiros idealistas com que abre o livro, obsolescência da humanidade face à sua sucessora artificial), o livro está demasiado imbuído daquele típico positivismo silicon valley, um optimismo sem limites que vê as problemáticas negativas mais como meros sobressaltos no caminho do que obstáculos sérios. Vale pela especulação, tudo o resto deixa a desejar.

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