terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Dylan Dog: Dopo un lungo silenzio; Mater Dolorosa; Remington House



Tiziano Sclavi, Giampiero Casertano (2016). Dylan Dog #362: Dopo un lungo silenzio. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

O título tem um duplo sentido, óbvio para quem conhece a personagem. Para além de ter diretamente a ver com a história, é também uma declaração de Tiziano Sclavi, que assina esta aventura do Old Boy após um longo afastamento da série que criou. Vivendo uma nova paixão, Dylan cede à tentação e recomeça a beber. Toda a história é uma longa recaída de Dylan no alcoolismo, enquanto investiga o caso de um viúvo, também alcoólico, que sente a presença fantasmagórica da sua falecia esposa precisamente no silêncio soturno que se instalou na sua casa. Daqui há um desvio ao espiritismo e às fotografias de fantasmagorias, mas o cerne da história é a luta de Dylan Dog contra o seu pior demónio, o que vive encerrado dentro das garrafas. Um bom regresso do velho mestre.



Roberto Rechioni, Gigi Cavenago (2016). Dylan Dog #361: Mater Dolorosa. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Uma espécie de continuação do brilhante Mater Morbi, um dos melhores momentos de Recchioni em Dylan Dog. A sensual e fetichista encarnação da morbilidade regressa para atazanar Dylan, mas desta vez temos direito a uma inesperada linha narrativa. No passado, um pai luta contra a morte iminente do seu filho procurando desenvolver um soro que lhe conferirá uma vida prolongada. A mãe infecta-se com o vírus da doença, num bizarro desespero para ajudar o filho. Caem nas mãos de Mater Morbi, e o leitor intui que este jovem Dylan, às portas da morte num veleiro britânico do século XVIII talvez seja o Dylan de hoje. A criança sobreviverá à doença, mas ficará para sempre marcada por Mater Morbi. No presente, um Dylan febril e temendo a morte evita tudo e todos, acabando por se arrastar para uma vila à beira-mar que exerce sobre ele um estranho fascínio. A localidade ao largo da qual, centenas de anos atrás, se afundou numa tempestade um navio amotinado, o mesmo navio onde se passou a curiosa linha narrativa deste livro. Regressa o fetichismo de Mater Morbi, e Recchioni explora possibilidades da origem de um personagem que sempre conhecemos como adulto, sem saber como surgiu. Capitalizando no sucesso de Mater Morbi, a Bonelli editou esta aventura do Old Boy num registo a cores, afastando-se da estética preto e branco habitual na série para um estilismo assombroso.



Paola Barbato, Sergio Gerasi (2016). Dylan Dog #360: Remington House. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

De Paola Barbato podemos sempre esperar argumentos estanques, dinâmicos e bem construídos. Este não é exceção. Reminton House foi o local de um crime horrendo, com um homem a matar toda a família com requintes de violência. Foi também um trauma do passado de Dylan, que, quando jovem recruta na Scotland Yard, se deparou com este crime monstruoso. Décadas depois, a casa é uma atração turística para os amantes dos crimes violentos, com visitas guiadas a mostrar as atrocidades que aconteceram em cada local. Uma das guias, temendo perder o seu emprego, pede encarecidamente que Dylan visite a casa com ela e lhe conte os pormenores do crime. Essa visita irá despoletar algo que há muito era aguardado. Os espíritos inquietos do assassino e suas vítimas vão possuir os visitantes, recriando os assassínios violentos, e exigem a Dylan que cumpra o seu papel para serem, finalmente, libertados da maldição. 

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