quinta-feira, 20 de abril de 2017

Man-Thing by Steve Gerber: The Complete Collection Vol. 1



Steve Gerber et al (2015). Man-Thing by Steve Gerber: The Complete Collection Vol. 1 . Nova Iorque: Marvel Comics.

Os comics não são conhecidos por ser um género de elevada criatividade. Para cada personagem de sucesso de uma editora, há outras noutras editoras que são estranhamente similares. Man-Thing é a variante Marvel do lendário Swamp Thing da DC, mas sem ter tido a sorte de ter uma época com Alan Moore no argumento. Troque-se os pântanos da Louisiana pelos da Florida, meta-se uma história de origem muito similar mas com algum contorno de protesto - Man-Thing torna-se assim porque o cientista de um projeto militar de criar um super-ser humano, capaz de viver em ambientes poluídos, e morre, ao fugir de uma mulher traiçoeira que lhe quer roubar a fórmula secreta. Uma curiosa inversão da história de como Alec Holland se tornou o monstro do pântano.

O que realmente distingue Man-Thing de Swamp Thing é a sua inconsciência. Esta criatura, que já foi um homem, não retém mais do que leves vislumbres do que é ser humano. Como tal, é atraído, sem saber como nem porquê, para as mais estranhas situações.

Steve Gerber, argumentista clássico da Marvel e criador de Howard The Duck, escreveu este Man-Thing com misto de terror e fantasia, mas também como comic social e politicamente interventivo. Uma das linhas narrativas envolve os esforços de um construtor civil para drenar o pântano e construir um aeroporto, e se soubermos que o magnata se chama F.A. Schist, está tudo dito. Mas nem só de lutas contra plutocratas desrespeitadores da natureza viveu esta série. Também temos rituais secretos, grupos obscuros, ameaças de feitiçaria interdimensional onde hordes de guerreiros de todos os universos ameaçam o lar dos deuses, que se revela uma pradaria bucólica onde seres humanóides tomam conta daqueles que são os verdadeiros deuses - cães, num delírio especialmente psicadélico de Steve Gerber. Coisas que só parecem possíveis nos idos dos anos 70 do século XX.

Entre o psicadélico, o radical underground e o simplista, Man-Thing marca um estranho cruzamento entre comics mainstream, terror e intervenção social. Os seus argumentos não aguentam bem o teste do tempo, mas os pormenores bizarros mostram que, de certa forma, marcou uma época. Note-se que à altura o seu clone da DC não estava a seguir estes caminhos, e só nos anos 80 se transformou no marco que é. Apesar disto, Man-Thing nunca se tornou um personagem de primeira linha, aparecendo como personagem secundário em séries ou continuidades de outros heróis, com algumas raras mini-séries.

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