quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Triplanetary






E.E. "Doc" Smith (1997). Triplanetary. Old Earth Books.

É a este tipo de narrativa que os fãs e conhecedores de Ficção Científica chamam de good old stuff. Valem pelo que são, marca de época, e passo na evolução do género. Para um leitor da sofisticada FC contemporânea, histórias como as que formam este Triplanetary são demasiado simplistas, com o seu foco exclusivo na aventura, desdém pelo rigor especulativo nas tecnologias futuristas, sentido binário de bem e mal, ou falta de diversidade num futuro que se percebe que os homens valentes são todos brancos e anglo-americanos e as mulheres heroínas submissas. É o tipo de ficção que hoje só tem lugar nos delírios conservadores dos revanchistas sad puppies, mas sublinhe-se que tem a sua importância como marco na evolução da FC enquanto género literário. Triplanetary foi originalmente publicado em 1934, como série de histórias na revista Amazing Stories, um dos marcos da FC clássica.

Não que este seja um mau livro. Pelo contrário, EE Doc Smith dá-nos aventura em alta rotação com a história de um agente das forças unidas dos planetas que, após se confrontar com um cientista louco nas fímbrias do sistema solar, é capturado por misteriosos anfíbios alienígenas, mas consegue libertar-se, fornecendo sempre à Terra as informações necessárias para que as forças de defesa desenvolvam naves capazes de enfrentar a tecnologia alienígena. Aventura acelerada, grandiosas batalhas especiais, alienígenas exóticos e até um toque de romance, uma vez que o agente não viverá as aventuras sozinho, estando acompanhado de uma bela passageira da nave capturada pelo cientista louco e pelo seu capitão, valorosos companheiros de aventura e infortúnio, cujas lutas terão um final inevitavelmente feliz.

Está a aqui a génese de muitos elementos da FC contemporânea, especialmente das histórias de space opera onde bravos tripulantes de naves exploram planetas exóticos e civilizações alienígenas, sempre do lado da ordem, combatendo contra inimigos violentos mas, no final, prevalecendo sempre. Felizmente, a FC evoluiu, mas é interessante e divertido revisitar estes clássicos mais simples, de uma outra era onde bastava a este género fazer pulsar o coração dos leitores com histórias de aventura.

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