sexta-feira, 14 de outubro de 2016

The Fall of Kingpin



D.G. Chichester, et al (1993). The Fall of Kingpin. Nova Iorque: Marvel Comics.

A sombra de Frank Miller paira, pesada, sobre este Fall of Kingpin. É impossível não fugir ao momento seminal de Daredevil, orquestrado por Miller e Mazzuchelli. Até porque está na sua continuidade, uma vingança do herói contra aquele que, minucioso e implacável, o derrubou. O argumentista dá-nos um herói frio e calculista, cujas ações desmontam o puzzle do império de crime. Mas não está ao nível do antecessor. Desmontar e vingar a queda de Murdock em poucas páginas, com pressa, funciona mal e é preciso vir buscar entidades terceiras. Aqui, a SHIELD e a Hydra entram na luta, com os criminosos nazis herdados da continuidade do Capitão América a serem a força que irá derrubar o rei do crime. Ou, pelo menos, abalá-lo, já que um personagem como Kingpin não se deixa cair sem mais nem menos. É esta a maior diferença desta série sobre a que a possibilita e inspira. Miller montou a queda de Murdock/Daredevil como um intricado policial noir aplicado a um super-herói relativamente fraco no que toca a poderes. O toque de génio de Frank Miller foi reconhecer que Daredevil não é o tipo de personagem que funciona melhor nas histórias típicas do género, revendo-o dentro dos pressupostos do policial. Recorrer a crossovers e personagens externas dilui essas características, banalizando o que poderia ser uma boa história. A sombra da época de Miller também se faz sentir na ilustração, com o trabalho gráfico a tentar imitar o estilismo noir com que Mazzuchelli soube vincar a iconografia da personagem.

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