sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Zero to Maker


David Lang (2013). Zero to Maker: Learn (Just Enough) to Make (Just About) Anything. São Francisco: Maker Media.

Os livros da Maker Media não são um primor de profundidade e este não escapa à regra. Livros cheios de entusiasmo, que apostam no cativar de um público que se está a iniciar nas aventuras maker e anseia por saber um pouco mais, com guias introdutórios capazes de mostrar algumas das ferramentas desta nova vertente de trabalho e aprendizagem. É esse o seu mérito, e também demérito. A aposta na simplicidade implica que não sejam livros apropriados a quem queira aprofundar conhecimentos. Se descolarmos a epiderme de isto é tudo fantástico e fabuloso com e olhem que é tão simples usar estas ferramentas, pouco miolo resta. Se querem mesmo aprender a usar as ferramentas, não é com estes guias que se safam. E se querem saber mais sobre as implicações deste movimento, do que nos pode oferecer a nível pessoal, profissional, e, no que toca aos meus interesses, educacional, o que estes livros nos dão são curtos vislumbres de possibilidade. Não deixam de ter o mérito de permitir iniciação rápida.

No caso específico deste livro, o autor decidiu elaborar uma crónica da sua aprendizagem como maker. Lê-se como uma espécie de conto de fadas para fazedores, com uma comunidade aberta, elevada tolerância ao desconhecimento e falta de saber técnico, e um mar de rosas no acesso a equipamentos e projectos. Não que a comunidade maker seja fechada ou avessa à partillha, mas as curvas de aprendizagem técnica não são tão suaves quanto este livro faz parecer, nem o acesso a equipamentos tão facilitado. Diria que a afirmação mais perspicaz do livro está logo nas primeiras páginas, quando num curto parágrafo fala do seu mergulho neste mundo e da forma como passou de consumidor a criador. Um percurso espelhado por muitos. O resto do livro são introduções liminares ao conceito, comunidades, tecnologias de trabalho, modelos de negócio, legislação de direitos de autor e, pormenor que me interessou, iniciativas educacionais.

2 comentários:

Luís Carvão disse...

Para quem quiser um conhecimento mais aprofundado do potencial deste movimento ha um curso chamado FabAcademy baseado no curso do MIT-CBA HTMAA. Sou um dos formadores desta rede mundial de ensino e obviamente aconselho.

artur coelho disse...

Já tinha tido conhecimento. Acho que nos cruzámos no evento do Lab Aberto em Torres Vedras. O curso é fascinante, e um investimento fulcral, mas above my paygrade (ou melhor, não adequado aos meus objectivos de médio prazo do momento, que passam pela fronteira entre artes e tecnologia na educação).