quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Visões


Two Evil Eyes (Dario Argento e George Romero, 1990)

Two Evil Eyes é um filme antológico em que George Romero e Dario Argento juntam forças para olhar para a obra de Edgar Allan Poe. Romero revê The Facts in the Case of M. Valdemar como uma história contemporânea de cupidez, em que a mulher e o médico de um homem às portas da morte utilizam o hipnotismo para convencer o moribundo a liquidar bens e acelerar o processo de herança. Com Valdemar a falecer enquanto hipnotizado, abre-se a porta dos horrores, com o seu espírito preso ao corpo decomposto e congelado. É aqui que a parte de Romero ganha algum interesse, depois de um longo preparar do terreno narrativo que prima por ser morno. Como é de esperar, Romero transforma Valdemar num zombie, animado pelas almas que estão no limbo do além. Utiliza bem o anacronismo de suspensão de vida e morte do conto original, com alguns requintes gore, mas perde-se numa história entediante, com a lendária scream queen Adrienne Barbeau a ficar muito aquém do que era capaz.

 
Já com a secção de Dario Argento o maior problema é convencer o espectador que o gato, tranquilo e pacholas, é a criatura ameaçadora de The Black Cat. Oscilando entre o giallo e o terror gore, com os toques surreais típicos do realizador, esta secção é a mais forte do filme. A história de terror e morte é actualizada com a relação em dissolução de um fotógrafo e uma violinista. O fotógrafo é especialista em cenas de crime, o que dá a Argento uma boa desculpa para cenas de terror visual puro. É assim que inicia o segmento, com o rescaldo de um assassínio inspirado em The Pit and the Pendulum, ou outro em que um dentista demente viola campas para arrancar os dentes a noivas recém-enterradas.

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