quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Colecção Barbante (II)



A Colecção Barbante, da Imaginauta, continua a sua aposta nas novas vozes do fantástico em português. Quatro novos contos, editados no seu formato singular, a mostrar que apesar das dificuldades de um nicho reduzido ainda há quem se atreva a criar nestes domínios. Aguardamos os próximos.

Algures em 2045, Fábio Carvalho - um pequeno toque de distopia, num futuro próximo onde as ameaças terroristas são utilizadas como ferramenta de controlo social e são tão prevalentes que têm previsões diárias como a meteorologia. Tem também um curioso sub-texto de crítica à corporatização do mundo contemporâneo, com as culturas reduzidas a segmentos de mercado.

Danças, Júlia Pinheiro - mais exercício de estilo onírico do que narrativa linear, intriga pela iconografia mental que desperta, num misto entre o simbolismo de Redon e o expressionismo de Ensor. Este conto literário tem uma linguagem eminentemente plástica, lê-se como um quadro.

A Verdade, Sérgio Santos - um toque de bom cyberpunk, num conto onde um andróide superior descobre ser manipulado pelo mesmo tipo de ilusões que afectam máquinas inferiores. Há aqui um toque baudrillardiano de realidade ilusória , construída pela mente através de sensores manipulados para ofuscar a realidade real.

Verum, Mário de Seabra Coelho - um conto mais interessante pelo que deixa intuir do que pela narrativa. O seu mundo futuro, claramente pós-apocalíptico, dominado pela religião de recorte islâmico, controlado por um ser que usa a religião para manter o seu domínio mas dependendo da ciência para assegurar longevidade, é muito intrigante.

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