terça-feira, 19 de julho de 2016

Swamp Thing Vol. 3: Trial By Fire



Mark Millar, Phil Hester (2016). Swamp Thing Vol. 3: Trial By Fire. Nova Iorque: Vertigo

Neste arco narrativo, parte da época de Mark Millar como argumentista de Swamp Thing, os elementos metafísicos estabelecidos por Alan Moore na sua reinvenção da personagem são levados ao absoluto. Através de uma sucessão de ordálios, a criatura do pântano ganhou a confiança dos parlamentos de todos os elementos. O verde, a pedra, a água e os ares concedem-lhe todos os seus poderes, unificando-o no Monstro do Pântano. Resta o julgamento final, do parlamento do fogo que reside na fornalha nuclear do sol, para que a criatura transcenda e se torne a entidade elemental mais poderosa de sempre.

O arranque do arco coloca em causa a réstea de humanidade do Monstro, cada vez mais esmagada pela aquisição de poderes que rivalizam com divindades. Outras forças se juntam, como a velha aspiração dos elementos em eliminar uma humanidade que vêem como praga destrutiva sobre a Terra, ajudados por facções do oculto que também querem eliminar os humanos. Alec Holland/Monstro do Pântano, cada vez mais inebriado pelo poder que adquiriu, mergulha neste delírio e vai dando passos concretos para exterminar a vida humana. É, crê, a sua última tarefa, permitida pelo poder do fogo e que cumprirá a vontade dos elementos. Terá a oposição fútil dos elementos do bem, a ajuda da filha Tefé, treinada como arma letal pelo parlamento das árvores, e uma intervenção final de John Constantine, que depois de se esforçar por derrotar o invencível cede aos seus instintos e deixa os acontecimentos decorrerem como o Monstro do Pântano quer. Constantine suspeita que o extermínio da humanidade seja uma metáfora espiritual e arrisca, revelando que toda a viagem da criatura foi iniciática. A transcendência final não trará o extermínio da humanidade, mas o despertar de uma consciência planetária, com o Monstro do Pântano a assumir o lugar de representante da Terra sentiente no parlamento cósmico dos mundos. Um arco narrativo que, claramente, explora os limites da estrutura conceptual que Alan Moore traçou para o personagem, que ainda hoje norteia o trabalho dos argumentistas que pegam na série. Como, num exemplo recente, Charles Soule que introduziu um novo parlamento a representar a consciência digital na sua recente temporada em Monstro do Pântano.

O carácter épico deste arco é interrompido por um número em que Millar satiriza as pulsões do conservadorismo político, com o seu apelo aos velhos tempos, à xenofobia, anti-intelectualismo, anti-feminismo, discriminatório e a recusar a liberdade sexual. Uma história em que o hippie consumado Chester Williams abandona o seu caminho pecaminoso, tornando-se um exemplar agente da lei que chegará a presidente apelando aos valores mais baixos do conservadorismo. Sátira pura, que se mantém demasiado actual nos dias de hoje.

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