quinta-feira, 10 de março de 2016

aCalopsia: O Poema Morre


É raro haver inocência na obra de David Soares. Não encontramos nas suas histórias nem bons selvagens nem bons civilizados. Talvez o seu bom selvagem seja o canibal sorridente que lambe os beiços, antevendo o sabor a churrasco de um Rousseau assado em lume brando. Chocado pela violência das guerras napoleónicas em Espanha, Goya sublimou o trauma nas suas mais negras pinturas e gravuras. Legou-nos os monstros que povoam o sono da razão, e são esses os sonhos atormentados em que O Poema Morre chafurda. Não revolve, nem aborda. Chafurda, porque é para o lamaçal das pulsões mais tenebrosas da visceralidade humana que este livro nos atira. Recensão no aCalopsia: O Poema Morre.

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