quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dracula Unbound


Brian Aldiss (2015). Dracula Unbound. Nova Iorque: Open Road Media.

Brian Aldiss tentou safar-se com uma obra ambiciosa, originalmente publicada em 1991, que colide terror e ficção científica. Falha numa prosa que se leva demasiado a sério num romance cheio de premissas de sanidade duvidosa. Afinal, que lógica pode haver em misturar viagens no tempo com linhas temporais paralelas, futuros distantes, passado profundo, relíquias contemporâneas encontradas em estratos geológicos do mesozóico, Drácula, Bram Stoker e Van Helsing, comboios que atravessam os tempos, e vampiros como uma espécie parasítica animal, incapaz de pensamento consciente mas com capacidade autonómica de sobrevivência suficiente para conseguir domesticar a humanidade num futuro distante, cooptando as tecnologias que lhe convém para um domínio completo da história humana?

Pouca ou nenhuma. Parte do livro lê-se como um recontar do romance clássico de Stoker, parte como narrativa sobre paradoxos temporais que se acumulam, parte segue as técnicas do thriller de aventuras e mistérios, e ainda toca no romance biográfico histórico. Que dizer de uma história que termina com um bando de aventureiros a meter-se num comboio para ir ao futuro roubar uma bomba poderosa, detonando-a no final da era mesozóica para aniquilar um ajuntamento de vampiros vindos de todos os tempos, no processo aniquilando dinossauros, gerando uma enorme cratera onde hoje é a baía de Hudson, e provocando de facto a separação violenta entre eras geológicas que os geólogos denominam nível K-Pg? A bomba é lançada por um modelo telecomandado de um bombardeiro B-29 (o mesmo tipo de avião que lançou as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui), se acham que este final não é suficientemente doido.

O problema do livro é querer levar-se a sério, apesar de deixar a sensação que Aldiss ia acumulando situações bizarras à medida que o ia escrevendo. Não deixa de ser uma leitura divertida, cheio de ideias bizarras, mas não é um dos pontos altos da obra deste grande mestre da FC.

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