sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

The Dream Quest Of Unknown Kadath


I.N.J. Culbard (2015). The Dream Quest Of Unknown Kadath. Londres: SelfMadeHero

The Dream Quest Of Unknown Kadath foi o primeiro texto de Lovecraft que li, a obra que ditou o início do meu fascínio pelos contos tenebrosos deste autor na fronteira entre o pulp e a literatura de terror. Recordo a imagem mental das descrições das visões feéricas de Randolph Carter nas terras de sonho como de um intenso barroquismo de toque orientalista. É uma estética que poderia ter sido seguida por um desenhador mais convencional do que I.N.J. Culbard. Este prefere usar o seu elegante e altamente estilizado traço para invocar visões difusas dos mundos de sonho. Ao fazê-lo, dá espaço à mente do leitor para encher as imagens com os pormenores que imagina. Resulta daqui uma adaptação muito poderosa deste clássico lovecraftiano. Os temíveis zoogs, os seres esponjosos da Lua, os atarracados habitantes de Inquanok, os ghouls e os seus night gaunts aliados,  os navegantes que circulam entre Celephais e Ngranek,  a geometria árida de Leng,  até mesmo Nyarlathotep nos seus diferentes aspectos ganham uma singular e atraente vida à luz da estética individual de Culbard. Que diga-se, soube respeitar como poucos os gatos de Ulthar. Quem gosta da prosa de Lovecraft irá adorar esta adaptação. Quem não a conhece, tem aqui uma boa porta de entrada para os mundos de sonho e pesadelo do misógino escritor pulp de Providence.

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