quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Futuro 1980


 Enfim, alguns maus usos deliberados (secretos ou revelados) dos sistemas de informações, tanto por funcionários como por indivíduos privados e desenvolvimento de um sistema de protecção para os indivíduos.



Muitos trabalhadores a tempo parcial ou intermitente. Uma forma qualquer de garantia anual do rendimento (explícita, reconhecida, ambígua, intermediária). Perda das «alavancas» tradicionais (a religião, a tradição, as pressões económicas e militares). Por consequência, uma busca do fim e do significado. 


Desenvolvimento de culturas pluralistas em forma de mosaicos, exibindo uma grande diversidade de estilos de vida a maior parte esotéricos, exóticos, comunais, com enclaves utópicos e subculturas, mas com uma grande mobilidade entre os enclaves e as subculturas. A roupa e o estilo de vida podem reflectir a filosofia de base, o papel, a vocação, com pouca imitação — e mesmo a rejeição— do estilo da classe superior. 

Herman Khan, o senhor termonuclear, a antever de forma muito presciente aquilo que se tornou o nosso mundo contemporâneo. A primeira citação, então, ressoa de forma incrível nesta era pós-Snowden, em que sabemos o quanto obscuras agências governamentais vigiam e observam a nossa pegada digital. As restantes não lhe ficam atrás, com o regressar da precariedade nas relações laborais ou a pulverização da ideia monolítica de uma cultura homogénea comum a todos numa míriade de fragmentos de interesse e nichos culturais. Ideias surpreendentes, que tão bem se aplicam à nossa contemporaneidade, vindas de um passado já algo distante. Estes textos são dos anos 60 e 70, e procuravam especular de forma informada sobre o que seria a vida nos anos 80.

O retro-futurismo é intrigante. Podemos aprender muito sobre o tempo em que vivemos e a forma como o projectamos nos futuros hipotéticos olhando para trás, para a forma como os que nos antecederam especularam sobre o que ia ser o seu futuro. Encontrei estes textos muito por acaso, ao vasculhar as estantes da Livraria do Mercado durante o festival Folio em Óbidos. A edição é de 1970, parte da colecção Cadernos do Século da Editorial O Século, e traduz para português uma edição especial do Le Figaro que suspeito datar dos anos 60. Naqueles tempos, 1980 parecia um futuro distante.

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