sexta-feira, 3 de julho de 2015

The Land Leviathan


Michael Moorcock (1974). The Land Leviathan. Londres: Quartet Books.

Segundo volume da trilogia que se iniciou com o influente Warlord of the Air, neste livro Moorcock volta a trocar as voltas ao capitão Oswald Bastable. Nómada dos fluxos temporais, o aventureiro está condenado a viajar por entre mundos alternativos sem nunca conseguir regressar ao continuum de onde proveio. Crendo regressar ao futuro alternativo onde os dirigíveis libertários implantaram uma república equalitária no meio da China, descobre-se num outro mundo, devastado por uma guerra sem quartel nem fim. Nesta nova linha histórica, as façanhas de um inventor legam ao mundo uma prosperidade jamais vista. A utopia parece, finalmente, ao alcançe da humanidade mas as velhas pulsões cedo se voltam a revelar e as nações, agora prósperas e detentoras de tecnologias inimagináveis, mergulham o planeta numa guerra sem fim. Com a Europa e a América arrasadas sob uma chuva de bombas químicas e biológicas, os resquícios imperiais resignam-se a defender-se dos antigos povos nativos, apanhados no meio de novas potências destrutivas.

Restam dois grandes blocos. A oriente, a união Australo-Japonesa mantém-se neutra e prepara-se para a guerra. Em África, um novo império Ashanti unifica a ferro e fogo quase todo o continente e depressa invade as arábias e a europa. Liderado por um tirano sanguinário, descendente de escravos que busca vingar-se das sevícias que a raça branca infligiu aos negros, prepara-se agora para invadir as américas, libertando os negros oprimidos e novamente reduzidos à escravatura pelos decadentes americanos. No que seria a África do Sul, ergue-se um país próspero e benévolo. Liderado por Ghandi, é um farol do que o planeta poderia ser graças ao conhecimento e tecnologia. É ao serviço deste país que Bastable se vai encontrar, após algumas aventuras que o levam a uma Inglaterra devastada pelas bombas e reduzida à barbárie, e se cruzar com piratas submarinos polacos. Como observador, irá participar na invasão Ashanti das Américas, a bordo de uma fragata que irá sobreviver a uma portentosa batalha naval. É aí que se irá deparar com a mais terrível das armas, um leviatã terrestre, fortaleza sobre rodas eriçada com canhões, temível veículo de combate capaz de pôr cobro aos mais valentes exércitos.

Na continuidade da estética de Warlord of the Air, tão influente no movimento Steampunk, Moorcock vira-se agora para as histórias de guerra futura com uma homenagem muito óbvia a The Land Ironclad de Wells. O primeiro livro invoca Robur e todas as histórias de aeróstatos de combate. Aqui a guerra é terrena, o futuro alternativo menos distante, e o ar apocalíptico omnipresente. Implacável, Moorcock joga com preconceitos de raça e ideiais imperialistas. As suas vítimas também são vilões, as tiranias necessárias para pacificar um mundo decaído e em ruínas. Mantém sempre no alto um símbolo de utopia pacifista, de base tecnológicas e científica, mas recorda-nos que é preciso lutar contra forças muito obscuras para atingir esse patamar e que nessa guerra todos os valores são abalados. Um subtexto curioso, dentro de uma aventura empolgante onde, fiel ao género que homangeia, as descrições de portentosas batalhas com máquinas de guerra futuristas imperam, sempre dentro do tom retro-futurista da série.

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