segunda-feira, 1 de junho de 2015

Comics


Frankenstein Underground #03: YAY! Mike Mignola recuperou neste comic uma das minhas ideias bizarras favoritas. Frankenstein, aliás, em bom rigor, a criatura saída do laboratório do Dr. Viktor Frankenstein, visita os mundos subterrâneos, onde terá de enfrentar aguerridas tribos de cavernícolas e um par de cientistas de sanidade do lado errado da fronteira entre o são e o duvidoso. É sempre divertido ser levado pelas mãos de autores e argumentistas às bizarrias e fantástico espaço imaginário da Terra Oca, uma daquelas teorias peripatéticas demolida pela ciência mas que influenciou mitografias tão díspares como teorias da conspiração nazi e romances de Edgar Rice Burroughs ou Júlio Verne. Já para não falar nos inúmeros místicos que recordam a perfeição das civilizações ocultas sob o manto terrestre, iluminadas pelo sol que brilha no centro da terra. É uma ideia muito weird, que fascina.


Providence #01: Promete, e muito, este olhar clínico do mestre Alan Moore sobre a obra de Lovecraft. Suspeito que não teremos leitura fácil nem Cthulhus de peluche. Moore parece querer ir ao cerne do horror cósmico lovecraftiano e começa logo com uma dupla homenagem a The King in Yellow de Robert W. Chambers (específicamente ao conto Repairer of Reputations) e a Cool Air de Lovecraft. Iremos seguir um discreto jornalista homosexual que procura nas histórias das vidas do mundo oculto dos misticismos a metáfora para escrever um romance sobre o seu próprio mundo oculto de sexualidade reprimida por convenções sociais. Depois da visceralidade de Neonomicon, Moore vira-se para o classicismo.


Material #01: O trabalho de Ales Kot intriga-me, apesar de raramente conseguir acabar de ler o que escreve. Costuma ter boas ideias, que se arrastam. E um bom gosto impecável na escolha das capas para os seus comics. Zero foi dos primeiros comics que vi a usar a estética glitch. Aliás, em bom rigor, o primeiro. Kot é claramente erudito e ambicioso no seu ideário e argumentos, e percebe-se a evolução. Em suma, vale a pena mantê-lo focado no radar. Este seu novo comic para a Image promete, com um toque de marxismo hipermoderno na sociedade do espectáculo e hipervigilância. Mistura um académico de ideário polémico que se cruza com uma aparente inteligência artificial rizomática, uma actriz desempregada que se torna a musa de um realizador de cinema experimental a navegar as águas tortuosas do megacinema de Hollywood, e um árabe-americano vítima de violência policial e tortura que apenas consegue encontrar no sado-masoquismo a intimidade que perdeu às mãos dos seus torcionários. Esta mistura contemporânea de violência institucional, capitalismo predatório, cultura digital e idealismos de torre de marfim é muito intrigante.


Where Monsters Dwell #01: Hey, Bristol Fighters versus pterodáctilos! Não é a famosa lenda pop-cultural de Zeppelins vs Pterodactyls, mas anda lá perto. A contribuição de Garth Ennis para o evento Secret Wars da Marvel está aí e mistura a visceralidade a que o argumentista nos habituou com sentido de pura aventura. Recupera Phantom Ace, personagem menor da era dourada dos comics, e revê-o como aventureiro e mercenário a tentar sobreviver no extremo oriente após a I Guerra. Fugindo a uma princesa tribal que engravidou e a uma horde de senhores da guerra enganados num carregamento de armas, transporta uma aparentemente dondoca até Hong Kong. Pelo caminho caem de chapa no meio de uma zona onde os dinossauros andam à solta. E, sendo Ennis um apaixonado por coisas militares, o pormenor do FB2 é importante.


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