sexta-feira, 15 de maio de 2015

Mort Cinder


Héctor Oesterheld, Enrique Breccia (2015). Mort Cinder. Oeiras: Levoir.

Ao longo desta extraordinária leitura a questão que me vinha à mente é quem é Mort Cinder? Nunca o sabemos ao certo. Sabemos que este personagem enigmático as barreiras do tempo se estilhaçaram, apesar de poder morrer. Viajante nos tempos, sofre de uma estranha imortalidade que o leva a regressar ao passado centrando-se nas curiosidades que vão chegando às mãos de um antiquário apaixonado pelas relíquias do passado, seu amigo e por vezes companheiro de aventuras, mas mais habitualmente a encarnação do leitor curioso e intrigado que ouve, sonhador, as histórias das aventuras de Cinder pelos passados longínquos.

Este personagem clássico mistura ficção científica pura com uma ambiência de realismo mágico, sublinhados pela profunda e por vezes cortante expressividade do traço de Enrique Breccia. As histórias de Oesterheld são um mimo à antiga de aventura fantástica, levando-nos para aventuras com cientistas loucos empenhados em dominar o mundo, para as trincheiras da Flandres, numa mesopotâmia onde a Torre de Babel é construída como rampa de lançamento para uma nave que levará assírios à lua, às prisões do interior americano dos anos 20, a vitrais sob maldições aztecas, a alienígenas que se misturam com tumbas egípcias ou, num final desesperante, à batalha das Termópilas. Sente-se o peso do tempo nestas histórias escritas nos anos 60, que ao contrário de tantas outras não se sentem datadas ao fim destes anos todos. Um final digno para esta excelente colecção da Levoir.

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