segunda-feira, 18 de maio de 2015

Comics


Coffin Hill #18: Depois desta imagem, ainda restam dúvidas que este é o comic mais creepy actualmente editado? Os argumentos são convolutos e Kittredge espreme bem um conceito clássico, de uma família de bruxas numa cidade pequena da Nova Inglaterra, com um toque visceral inesperado. Tem-nos dado momentos arrepiantes, sem cair na visceralidade bacoca de comics que abusam do sangue e das tripas para pretender ser chocantes. Coffin Hill mantém um delicado equilíbrio entre o horror clássico, o terror psicológico e a alucinação sangrenta.


Harrow Country #01: Confesso que tenho alguma dificuldade em dissociar este comic de Coffin Hill, apesar da Dark Horse o designar como a southern gothic fairy tale. A geografia desloca-se das névoas da Nova Inglaterra para os calores do mítico sul norte-americano de Faulkner, mas o esqueleto da premissa está lá. Cidade pequena e isolada, bruxas vingativas que amaldiçoam os seus habitantes, jovem rapariga que herda um pesado fardo sobrenatural, eventos misteriosos e arrepiantes. Diria que todos os itens da lista foram devidamente verificados. Sabe a clone, mas a clone bem feito, e este primeiro capítulo intrigou. Vamos ver como prossegue.


Injection #01: Para terminar esta triologia de imagens sangrentas saídas dos comics da semana (garanto que não foi intencional), eis a forma como Warren Ellis encerra o primeiro Injection, com um toque hilariante de humor g33k no seu mais macabro. Para perceberem bem a piada digamos que a personagem é uma hacker de élite chamada a fazer apoio técnico informático. O comic revela-nos Ellis em modo de avalanche apocalíptica, com memes arcanos de hipermodernidade a colidir com o real e o habitual grupo de aspergers funcionais altamente qualificados com ligações cognitivas íntimas ao que causa as colisões. Um tema recorrente na obra deste autor, que o aproveita muito bem para nos transmitir as batidas que sente do pulso da modernidade contemporânea. Ficamos a saber muito pouco neste primeiro número, implicando que estamos a ser preparados para jogadas narrativas a longo prazo. Sabemos que o século XXI está corrompido e o resto promete ir ainda mais longe do que Trees no niilismo catastrófico. Nos argumentos de Ellis a força das ideias estranhas que navegam nas fímbrias do futurismo esmurra a modernidade, e de Injection esperam-se muitas mazelas.

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