quarta-feira, 13 de maio de 2015

Bando de Dois


Danilo Beyruth (2015) Bando de Dois. Oeiras: Levoir.

Bolas, que isto é coisa boa. Imaginem-se no final de uma longa semana, cheia de desafios interessantes mas cansativos, desmoralizados porque perderam algo que vos é muito querido, cansados, muito cansados, mas incapazes de deitar a cabeça na almofada e dormir. Imaginem que pegam neste livro, pensando em folheá-lo de relance para o arrumar na pilha de leituras a curto prazo. E quando dão por vós estão na última página.

Bando de Dois é um daqueles livros que, insuspeito, nos apanha na curva deixando-nos agarrados às suas páginas. Curto, rápido, ritmado, implacável, lê-se esticando os limites cinematográficos da estética da BD. Beyruth faz ao folclore dos cangaceiros brasileiros o que Leone fez aos westerns, e fá-lo muito bem. Este é um livro que se lê com se vê um filme, algo que a narrativa sublinha, mas antes de mais se denota nos enquadramentos a remeter para o wide screen que o desenhador usa e abusa muito bem. Como o descrever? Imaginem um cruzamento dos anti-heróis de The Good, The Bad and The Ugly de Leone com o final apocalíptico de Butch Cassidy And The Sundance Kid de Peckinpah em sotaque nordestino e ficam com uma boa ideia do que é este livro. Encerra com chave de ouro a colecção de novelas gráficas da Levoir.

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