domingo, 8 de março de 2015

Works in Progress


Estas últimas semanas têm sido algo sufocantes, mas pelas melhores das razões. O tempo para leituras tem sido escasso, que isto entre andar a preparar textos para apresentações, exposições para recepção de prémios, dominar a impressora 3D fazendo com que as crianças imprimam os seus projetos, terminar uma acção de formação onde o meu ego de formador torturou vinte professores, mergulhar na teoria cinematográfica à séria com uma formação interessantíssima do Plano Nacional de Cinema, graças à qual a minha tendência para analisar os filmes que vejo ainda vai ficar pior, e as mil e uma coisas do meu dia a dia que tem dias que parece mesmo um cartoon do XKCD.


Este. Salvaguardado as devidas distâncias, claro. Mas aquela sensação de se chegar à escola vindo de receber um prémio sobre uso inovador de tecnologias e levar com colegas que me descrevem extensivamente os seus dilemas com o PowerPoint, ou resolver um dos inúmeros fogachos que os sistemas de backoffice têm, yep, já a vivi.


Das coisas giras que me têm acontecido nos últimos dias é ter participado nas cerimónias de entrega de prémios que projectos que dinamizo receberam. Eis-me de stand de animação 3D, VRML e 3D Printing no teatro Thalia para receber o prémio Inclusão e Literacia Digital. Prémio que confesso que não lhe dei grande importância quando soube que tinha sido um dos distinguidos, mas depois de perceber que o meu projecto foi um dos dois vindos de escolas, distinguidos em conjunto com centros de competência, universidades e politécnicos, empresas e câmaras municipais, naquela que foi a primeira edição destes prémios... bolas, penso, isto afinal tem importância.


O outro prémio recebido nesta semana foi o de desenvolvimento do concurso de ideias Ciência na Escola. Que, vítima dos algoritmos das redes sociais, despertou uma onda de likes e parabenizações que me deixou relutante em desiludir os gostadores com a informação que apesar da pompa, este prémio tem pouca importância. É atribuído a todos os projectos que passam à fase de desenvolvimento. O que dinamizo é um de trezentos. Traz a vantagem de ter um apoio financeiro directo para a escola, que nos dias que correm aproxima-se do simbólico quando se quer implementar um projecto complexo, mas não é de desprezar. Custeará muito rolo de filamento para a beethefirst.


Na cerimónia de entrega dos prémios de desenvolvimento do Ciência na Escola - Fundação Ilídio Pinho, no auditório da escola secundária Vergílio Ferreira. Aquele sorriso de tive de explicar um pouco de impressão 3D a um engenheiro que digamos que é uma personalidade controversa do mundo da educação. "Controversa" é um epíteto simpático. O projecto em si será a modelação em 3D de brinquedos tradicionais por alunos de sexto ano, e talheres adaptados a crianças com NEE por alunos de sétimo, com prototipagem por impressão 3D.

Nenhuma destas distinções existe só porque sim. É o resultado da confluência do esforço dos meus alunos, do bom ambiente de trabalho que tenho na escola, coisa rara nos dias que correm, e dos esforços de divulgação que faço em contextos académicos e redes sociais. Sabe bem recebê-las, mas recuso-me a esquecer que são passos em frente e não fins em si. Não resisto, com alguma vaidade, a mostrar uma pontinha de orgulho, mas não é isso que irá passar a definir-me. Até porque nunca tive paciência para os one hit wonders ou para aqueles que destacam no seu currículo aquela única vez em que foram distinguidos por algo que fizeram. Cada dia é uma nova aventura e matutar constantemente no dia que passou não é saudável. Fica este post babado para a posteridade, mas não se preocupem que não me vou tornar aquele tipo chato que vos está constantemente a recordar que recebi uns prémios importantes.

Olho para estas placas e diplomas, e não penso que orgulho. Penso e agora, qual será o próximo desafio?

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