segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Comics


Divinity #01: Fiquei muito intrigado por este novo título da Valiant. Escrito por Matt Kindt e muito bem ilustrado por Trevor Hairsine e Ryan Winn, não se parece inserir no universo ficcional desta pequena editora que renasceu das cinzas e insuflou nova vida em comics dos anos 90. Com, por sinal, muito bons resultados. Archer & Armstrong não tem falhado na aventura e bom humor com argumentos interessantes de high weird. Das restantes não posso opinar, tenho andado com cada vez menos paciência para o género heróico nos comics e títulos como Rai, Harbinger ou Bloodshot não me atraem. Já este Divinity surpreende. Fala-nos de um cosmonauta afro-americano enviado nos anos 60 aos confins da galáxia numa nave experimental. Sim, leram bem. Cosmonauta. O porquê de um orfão afro-americano a crescer na União Soviética é um dos pormenores que intriga nesta promissora série. Isso e o cerne da aventura, uma missão de muito longa duração que ultrapassa os limites do sistema solar onde o cosmonauta permanecerá em hibernação criogénica. Só o ao regressar deparar com um mundo radicalmente diferente de onde partiu, onde a União Soviética à qual jurou fidelidade eterna é agora uma pálida memória histórica, já daria uma boa história. Mas parece que Kindt ainda se mete com os efeitos da viagem prolongada sobre os limites do ser. A ver vamos, se se mantém interessante ou decai para a habitual e banal história de origem de mais um herói com super-poderes.


Deep State #04: A Boom! Studios de vez em quando surpreende com as suas séries, e esta tem sido uma delas. No seu cerne é mais uma história de invasões alienígenas, pragas zombificantes e agentes ultra-secretos no estilo X-Files/The Crazies, mas a ilustração foge quer ao banal apressado quer o realista, com um forte grau de expressionismo que fica muito bem numa aventura onde o invasor alienígena é afinal um resquício viral de uma forma primitiva de proto-vida terrestre, arrancada ao berço pelo cataclisma que nos legou o satélite lunar. Poderíamos discutir a plausibilidade de um vírus terrestre adormecido sob o solo lunar durante milhares de milhões de anos que se reactiva com as primeiras missões soviéticas e americanas à lua, contaminado e absorvendo astronautas para eventualmente aprender a dominar os restos dos módulos lunares e regressar ao berço para se espalhar pelas criaturas bípedes que entretanto se tornaram na forma de vida dominante no calhau com atmosfera utilizado um misto de bio-implantes electrónicos, mas diga-se que não é nada mau ponto de partida para uma história. A invasão foi, como não poderia deixar de ser, debelada, mas a série promete continuar com novas camadas de conspiração secretista.


Wild's End #06: E, por falar em Boom! Studios, foi um privilégio acompanhar o revisitar por Dan Abnett do clássico de H.G. Wells. Os elementos estavam lá, mas Abnett recontou a clássica invasão sob a perspectiva da ficção infantil que antropomorfiza animais, interligando-a com a tradição classicista da literatura infantil anglófona que imagina uma espécie de era dourada nos tempos de transição da era agrária para a era industrial. Culbard, como sempre, foi soberbo nas ilustrações. Este fim, como percebemos, é afinal um início, mas suspeito que a série tenha ficado por aqui. Quando chegar a edição em TPB é uma boa adição à biblioteca de qualquer apreciador de banda desenhada e ficção científica.

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