sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Dylan Dog: La Bomba.


Giovanni Gualdoni, Bruno Brindisi (2013). Dylan Dog Speciale #27: La Bomba. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Passamos boa parte desta aventura do detective dos pesadelos a tentar perceber qual a origem da distopia onde este se encontra metido. De certa forma, espelhamos o percurso narrativo de Dylan, que acorda num asilo mental e tenta perceber o porquê dos contínuos tratamentos agressivos e do psiquiatra que tanto insiste em normalizar o seu comportamento. Há medida que vamos ampliando a visão do mundo de Dylan percebemos que estamos numa Inglaterra distópica, governada por ultra-nacionalistas que aprisionam dissidentes em hospícios, despacham minorias e indesejáveis para campos de concentração, instauraram um estado policial e usam uniformes que se assemelham demasiado aos nazis. Toda a história nos leva através deste mundo de pesadelo, com Dylan a ser libertado por um comando de rebeldes para ajudar o líder, assombrado por um fantasma que o aterroriza. Como é esperado, Dylan apaixona-se pela bela guerrilheira que a liberta. Faz parte do cânone do personagem, apaixonar-se em todas as aventuras. O final dá-nos a peça que dá sentido ao puzzle. Estamos numa realidade alternativa que se toca com a continuidade normal da série, e o envelhecido e aguerrido líder da resistência é perseguido pelo fantasma do seu eu jovem, num mundo paralelo em que se apercebe do perigo representado pelo futuro líder. Quando jovem, contacta Dylan porque se sente assombrado por premonições de futuro que o vão levar a cometer um assassínio decisivo para que a distopia em que acabámos de mergulhar nunca chegue a acontecer. Um esforço interessante com argumento de Giovanni Gualdoni, referenciando alguns momentos da história da personagem e pegando muito bem nas distopias e mundos paralelos. Detectavam-se uns toques de La Jetée.

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