segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Comics


The Autumnlands #03: Um comic genuinamente intrigante. Parte das premissas habituais da fantasia, com um grupo de feiticeiros animalescos antropomórficos a dar tudo por tudo para recuperar uma magia que se está a esgotar no seu mundo. Requer, claro, um violento ritual para invocar um campeão que lutará pelo restauro das forças mágicas, mas o que lhes sai é algo de estranho. Um humano, transplantado de ficção científica pulp militarista. Resta saber se este cerne tão curioso será bem explorado, ou se a série reverte para o mais tradicional caminho da aventura em terras estranhas.


Ivar, Timewalker #01: Uma investigadora de física avançada salva por um dos irmãos de Armstrong de Archer & Armstrong, à solta pelo espaço-tempo. Um forte causador de ansiedade para quem se preocupa com paradoxos temporais, coisa que não aquece nem arrefece o viajante no tempo protagonista desta nova série da Valiant. Tem Fred VanLente a escrever, o que só pode significar bom humor inteligente. A atitude desprendida no que toca a paradoxos começa logo no princípio. Se a investigadora é salva (ou raptada, depende do ponto de vista) antes de inventar as viagens no tempo, como é que há tantos viajantes do tempo atrás dela? Uma pista: ela própria dá caça a si mesma. Confusos? A lógica em  nós das viagens no tempo é divertida, não é?


Moon Knight #11: Esperem lá, a Marvel não é aquele negócio de filmes de acção cheios de efeitos especiais com comics à mistura? A Marvel não é o patriotismo propagandístico do Capitão América, o super-estrelado de Iron Man, ou o baby Groot a dançar? Este Moon Knight está cada vez mais difícil de enquadrar no mundo simplista dos comics de super-heróis. Afasta-se deliberadamente do lado ingénuo dos seres que voam por aí a salvar o universo e do moralismo binário. Detido pela polícia nova-iorquina, o Cavaleiro da Lua dá por si numa prisão remota, com os seus direitos negados e imposição de submissão total. Ao tentar escapar percebe que os mentores da prisão encontraram uma forma inovadora de fugir à necessidade de legalidade das fronteiras políticas. Nos ares, não há códigos civis que protejam os prisioneiros. Brian Wood aproveita para falar ao público dos comics de rendições extra-judiciais, tortura levada a cabo por instituições democráticas e prisões sem processos legais. Algo bem conhecido que afecta aqueles que se descobrem no lado errado da pax americana após o 11 de setembro, quer sejam culpados ou não de crimes de terrorismo. Algo que não se espera mesmo encontrar num comic da venerável Marvel.

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