segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Comics


Deep State #03: Este título da Boom! Studios pega muito bem na premissa X-Files. Temos o agente veterano e endurecido a servir de mentor à jovem e promissora recruta a enfrentar ameaças tão ultra-secretas que são desconhecidas das mais obscuras agências. Estes são os primeiros na linha de defesa contra ameaças extra-normais. Como primeira aventura, nada como começar por enfrentar um alienígena que se manifestou aquando das viagens do homem à lua. Os agentes secretos julgavam-no dormente na superfície lunar, mas a entidade montou um veículo a partir do corpo de um cosmonauta abandonado e dos destroços de um módulo lunar russo. E agora chegou à terra, procurando compreender com extremo prejuízo o que move as estranhas máquinas de carne falante.

O quê, não houve russos na lua? Isso é que o que eles querem que vocês pensem...


Supreme Blue Rose #06: Devo dizer que me é difícil compreender este comic assinado por Warren Ellis. Não é a sua habitual prosa seca e hipermoderna, o seu rigoroso catastrofismo, ou o futurismo especulativo bem informado. Aqui está mais esotérico, se é que podemos chamar de esoterismo a algo fluído e tecnicista. Não ajuda desconhecer o mundo ficcional desta personagem, mais vasto que esta mini-série. O ilustrador Tula Lotay distingue-se mais pelo trabalho atmosférico e etérico do que o habitual registo dos comics de super-heróis. Na newsletter Orbital Operations Ellis já deixou transparecer que finda esta série irá trabalhar em algo de atmosférico com o ilustrador. Até lá, ficamos com este estranho futurismo de múltiplas realidades convergentes. E esta máscara, que recupera o WebCamMesh, um intrigante webtoy em WebGL que simula captura 3D em tempo real. É daqueles pormenores que só Ellis se lembraria.


Silver Surfer #08: O melhor deste reboot do personagem é, claramente, o estilo retro de Mike Allred, que assenta como uma luva nos argumentos. O outro ponto de interesse é a forma com o argumentista Dan Slott usa a oralidade e o diálogo num registo de bom humor inteligente. O constante vai-vem de diálogo a tocar no absurdismo faz recordar Doctor Who, que também vive muito desse registo. Silver Surfer é habitualmente uma personage trágica, solitária, hierática. Pomposa, nos piores momentos narrativos. Mas esta abordagem traz-lhe frescura, torna-o leve e humaniza-o, Continuamos com as intrigas galácticas, e esta edição termina com um vislumbre do portentoso Galactus. Mas de fora fica o pretensiosismo moral que caracterizou o historial do personagem desde que Stan Lee e Jack Kirby soltaram o torturado surfista das ondas cósmicas no meio da humanidade.

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