quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Revoluções Educativas

What Technology Will Revolutionize Education: Para dar que pensar. um vídeo que nos recorda quão facilmente esquecemos as tecnologias que iam revolucionar a educação... só que não o fizeram: "but i think the reason technology didn't revolutionize education is something else. something that goes to the very heart of what education is." Genial, a referência aos videodiscos como tecnologias de mudança de paradigma na educação. Quem diria que esses dinossauros extintos teriam alguma vez sido alvo de optimistas estudos académicos que os caracterizaram como revolucionários. O vídeo é sóbrio. Recorda-nos que essencialmente aprender está nas mãos dos indivíduos e que se as tecnologias dão uma grande ajuda, especialmente ampliando o espectro do que se pode fazer, não são revolucionárias per se. Não há pílulas mágicas da sabedoria, apesar de todo o hype geralmente propalado por quem tem interesse económico em vender dispositivos. É o que penso sempre que leio ou vejo algo sobre os "revolucionários" quadros interactivos, tablets ou escolas virtuais. O vídeo ironiza, recordando-nos que ideias como grafonolas, rádio ou televisão já foram consideradas revoluções pedagógicas que redefiniriam o papel do docente. Yep, Algo que em retrospectiva nos faz sorrir, mas que repetimos alegremente com quadros interactivos ou ipads. Professores ligados às tecnologias reconhecem a pedadogia Tech and Learning, da revista de tecnologia educativa cheia depoimentos de professores ao lado de catálogos de empresas de venda de equipamentos e software. É confundir o utensílio com o acto. É esquecer que somos humanos, que a transmissão de conhecimento não é um processo automatizável, que o papel do professor é o de guiar e abrir horizontes.

When Tablet Turns Teacher: Uma boa observação (ironia, claro) sobre o papel dos professores, cortesia do Nicholas Negroponte/OLPC (dois nomes que qualquer professor que se interesse pelas tecnologias educativas tem que conhecer). Parece, aparentemente, que basta fazer cair do céu tablets para que em pouco tempo miúdos de zonas isoladas lhes consigam dar a volta sem qualquer auxílio de adultos. Descobrem sozinhos como os utilizar, como os programa e hackar. Nenhum tipo chato a dar lições necessário. Fantástico, não? Do ponto de vista da FC seduz, esta ideia de largar dispositivos computacionais in darkest africa e meses depois ir ver se os nativos desenvolveram algum tipo de culto de carga à volta das maravilhas digitais. Do ponto de vista de um pedagogo sublinha o tempo que se perdeu. Certo, as crianças deram sozinhas a volta à tecnologia, mas se tivessem por perto alguém que as guiasse e lhes mostrasse possibilidades, se calhar tinham lá chegado mais depressa e mais longe. Ao criticar o convencionalismo do professor como sage on the stage, esta iniciativa clicktivista esqueceu o poder do professor como guide on the side. Sim, é fantástico saber que estas crianças por si só souberam apropriar-se da tecnologia, mas por outro lado se a cada geração tivessemos que reinventar a roda, é bem provável que ainda andássemos de carroça.

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