segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Comics


The Annihilator #03: Livre dos constragimentos das editoras mainstream, Grant Morrison mergulha-nos num psicadelismo introspectivo deliciosamente ambíguo. Estaremos a assistir às alucinações de um argumentista com um tumor cerebral? Será uma história de FC clássica com alienígenas a invadir a terra e um herói galáctico para a defender? Será uma introspecção sobre o processo criativo? Esta vinheta em que a história é um cancro na mente do escritor deixa-nos a pensar.


The Multiversity Pax Americana #01: Segunda dose de Grant Morrison, desta vez no épico Multiversity. Leva-nos a Earth-4, onde os heróis são os adquiridos pela DC à Charlton Comics, aqueles em que Alan Moore se baseou para o marcante e incontornável Watchmen. Aliás, este Pax Americana lê-se como Watchmen reescrito por Grant Morrison. Percebe-se a vénia a Moore, dentro da complexidade multimensional cujo fio condutor é a revista de banda desenhada que contamina os mundos paralelos. Este é um momento forte e implacável da série, com Morrison a não poupar os leitores com super-heróis rendidos ao establishment, outros amorais e outros que condescendem em tratar os inferiores humanos como se realmente os primatas ruidosos fossem dignos de atenção. Estou curioso com a próxima paragem da convoluta narrativa, e especialmente curioso sobre como irá Morrison encerrar a série. Será que no final tudo encaixará e fará sentido?


Victorian Secret Steam Queens #01: Há muito pouco de steam e vitoriano nesta edição saída de uma editora especializada em steampunk. Variante de War of the Worlds, adopta um sólido e cativante estilo dieselpunk. As publicações da Antartic Press não se distinguem pela complexidade narrativa, apesar de terem um certo encanto ingénuo de steampunk à solta. Visualmente, esta variante dieselpunk surpreende e agrada,


Tooth and Claw #01: Outra boa surpresa visual, com um argumento intrigante. Os talentos combinados de Ben Dewey e Jordie Bellaire dão vida com o melhor da estética do fantástico com toque steampunk. O argumento de Busiek promete. Dá-nos a entender que esta história de mito e magia se passa num futuro onde a magia é real e os animais antropomórficos falam. Mas houve um passado, e intui-se que a faísca da magia terá sido despertada por um humano. Parte de mim quer que a narrativa de fantasia mágica clássica continue, outra parte intui qualquer coisa no domínio das virtualidades e da tecnologia entendida como magia, numa espécie de Doutour Moreau cyberpunk. Intrigante, muito intrigante.

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