sábado, 6 de setembro de 2014

Salvage and Demolition


Tim Powers (2013). Salvage and Demolition. Burton: Subterranean Press.

Bolas, que livros destes deixam-me com dor de cabeça. As viagens no tempo podem propiciar enredos convolutos e tortuosos, e esta novela de Tim Powers faz malabarismos com a não-linearidade. Tudo começa no presente, com um agente literário a tomar posse do espólio de uma escritora obscura, e a descobrir um manuscrito de tradução de um poema milenar que poderá invocar a não existência de um deus que se suicidou antes do início dos tempos. Confusos? Ainda piora. O nosso protagonista é contactado por uma velhota que se diz executora testamentária literária da escritora, e que só quer ver o manscrito destruído. O contacto físico com esta personagem leva o agente a dar um salto ao passado, onde o espera uma jovem escritora que lhe conta que esta primeira vez que se encontram é afinal a segunda, que horas antes ele havia-a salvo de raptores e tinham acabado a fazer amor enquanto escondiam o fatídico manuscrito. De regresso ao presente o agente literário é assaltado por um muito idoso homem com que já se tinha cruzado no passado e por um comparsa, que pelas suas contas poderá ser o filho da fugaz relação que teve no passado. Confusos? Ainda piora. O manuscrito é de existência difusa, pode ter sido ou não destruído durante estes saltos temporais, aliás, é destruído num salto do futuro ao passado que coincide com o momento em que o agente literário regressa ao passado mas que para a escritora é o primeiro encontro em que a salva. Terminamos com a revelação que a velhota que se diz executora do testamento literário é afinal a escritora obscura, que assumiu uma identidade falsa, e deixa uma mensagem de amor num livro de bolso que atravessa as décadas na caixa cuja chegada às mãos do agente literário despoleta toda a convoluta situação. Confusos? A prosa clara de Tim Powers guia-nos pelos tortuosos caminhos dos paradoxos temporais. Se Anubis Gates é um tour de force das narrativas de viagens no tempo, esta novela é uma complexa pérola tortuosa.

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