segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Comics


Judge Dredd #352: The Man From The Ministry de Gordon Rennie e Kev Hopgood é a melhor série do momento na 2000AD. Certo, é publicada na Megazine mas o universo é o mesmo. O tom retro a remeter para a estética do cinema de ficção científica dos anos 60, a tecnologia antiquada e toda a envolvência de mistério, FC e aventura contribuem para uma belíssima história. Em resumo: na modernidade austeritária resta um minúsculo grupo de cientistas com acesso às instalações e tecnologia esquecida de uma época áurea onde resquícios de tecnologia alienígena alimentaram projectos secretos de exploração e defesa espacial. Está tudo esquecido e empoeirado, poucos são os que conhecem os agentes desta agência esquecida, mas as ameaças planetárias não deixaram de existir. Resta um fiel funcionário público com acesso às velhas tecnologias e uma credencial de alta segurança para travar invasões e outros combates que permanecerão sempre secretos.


The Multiversity: Society of Super-Heroes - Conquerors from the Counter-World #01: Ufa, que o título é comprido. E a história é típico Morrison: frenética, complexa, a levantar mais questões do que responde e funcionando como mais uma peça do vasto puzzle deste reinventar pelo lendário argumentista do velho hábito da DC de esticar os seus personagens com variantes em universos paralelos. Desta vez vamos a uma Terra onde Doctor Fate se mescla com Doc Savage e a Liga da Justiça inclui uma versão feminina dos Blackhawks. A derrota face a invasores de outra Terra paralela liderados por Vandal Savage foi inevitável. Mais uma peça do puzzle Multiversity, ilustrada com um fortíssimo tom retro que recupera o visual vintage e futurista dos anos 50. Inclui aeronaves ao estilo asa voadora de Bel Geddes, se se estiverem a perguntar se o efeito Gernsback Continuum é forte.

Um historial rápido: nos anos 90 a DC inaugurou os seus mega-eventos editoriais com a Crise nas Infinitas Terras, uma sequência de aventuras em que as Terras infinitas eram destruídas, restando apenas a nossa (certo, não tem qualquer lógica matemática, mas estamos no mundo dos comics). O objectivo disto era terminar com as variantes alternativas dos heróis da DC. Nos anos 60 e 70 os argumentistas entusiasmaram-se com as teorias sobre universos paralelos e trataram de criar Terras paralelas povoadas por variações dos super-heróis. Recentemente a DC parece ter-se arrependido e recomeçou a apostar nos universos paralelos, nomeadamente com o Eatth 2 ressuscitado pelo evento The New 52. Ainda não consegui perceber se este Multiversity  é uma homenagem nostálgica de Morrison aos personagens esquecidos ou a editora a sondar o mercado. Talvez as duas.


Sirens #01: É o regresso de um clássico. George Pérez, que se notabilizou pelo traço elegante e detalhado que trouxe ao mundo dos comics através de Wonder Woman, mostra aqui a sua mestria numa nova série para a Boom! Studios, O tom é de ficção científica divertida, entre viagens no tempo e space opera. De regresso estão os classicismos do traço e da forma narrativa dos comics.


Trees #05: Os humanos como formigas. Deprimente, a premissa de uma humanidade que se acomoda a uma invasão alienígena de seres gargantuescos e aparentemente imóveis que apenas estão, sem se incomodarem com o fervilhar da humanidade que os rodeia. Como nós, a quem o fervilhar do mundo dos insectos na nossa casa passa despercebido. Warren Ellis está a ser implacável, contando a história num ritmo preciso mas lento que aguça a curiosidade de quem lê. É frustrante. Espera-se uma explicação, um infodump, algo que normalize a narrativa, mas tudo o que recebemos são vislumbres do que poderá vir a ser a conclusão da série.

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