quarta-feira, 20 de agosto de 2014

H. P. Lovecraft: Against The World, Against Life


Michel Houellebecq (2005). H. P. Lovecraft: Against The World, Against Life. São Francisco: Believer Books.

Houellebecq, escritor de obra polémica, não é nenhum estranho às zonas desoladas dos limites literários. Neste erudito ensaio analisa a vida e obra do escritor de Providence, cuja curta e discreta vida não viria a prever a fama póstuma e profunda influência que viria a ter na literatura fantástica. Houellebecq olha para o carácter retrógrado de um homem que não pertencia ao tempo contemporâneo onde viveu, preferindo viver uma imagem idealizada de uma concepção antiquada. As suas falhas, o óbvio racismo, a alienação perante o mundo moderno, o carácter peculiar, encontram eco numa prosa única, desumana, pouco interessada em miticismos ou realismos, que como Houellebecq sublinha, veio da poesia para a literatura. A típica exaltação adjectivada de Lovecraft é aqui revista como um desafio literário aos sentidos, não uma falha, mas a principal característica que faz os leitores apaixonarem-se pela sua obra. Vivendo num isolamento ilusório, cativando fãs irredutíveis, Lovecraft poderia ser mais um escritor weird obscuro. Felizmente o trabalho daqueles que primeiro tocou, o círculo literário que inclui Robert Bloch, Ashton Smith e August Derleth, expandiu e divulgou a obra fascinante desta personalidade singular, que admiramos apesar das falhas e defeitos pelo poder do horror cósmico em prosa filigranada que nos legou.

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