segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Comics


Deep Gravity #01: A FC anda de boa saúde nos comics. Este novo título da Dark Horse promete. Parecia ser uma daquelas clássicas histórias de amor no espaço, com um planeta no limite da possibilidades de vida humana e uma fauna mortífera que mescla o animal e o vegetal, até à ultima vinheta, que surpreendeu e intrigou. O crescendo foi interessante, e vamos ver se se mantém a qualidade.


Fatale #24: Esta série chega, finalmente, ao fim. Nota-se os suspiros de alívio dos criadores, cujas energias criativas já estão direccionadas para outros projectos. Não que seja um mau final. Faz o serviço, ata as pontas soltas, pune o mal absoluto, salva a heroína e deixa um destino amargo para o herói. Nada mal, mas muito morno se comparado com o resto da série. Há um pormenor curioso. O final traz a libertação de Josephine, liberta do encantamento que a tornou eternamente jovem e irresistível para os homens, com todos os traumas daí advindos. O alívio da personagem parece uma interessante metáfora do alívio dos criadores, vítimas do seu sucesso, que tiveram de alongar o caminho de uma boa história porque cativaram o mercado. Percebeu-se que a história tinha perdido a força há bastante tempo, mas não se termina de ânimo leve uma série adulada pela crítica.


The Manhattan Projects #22: Pode esta série ficar ainda mais bizarra? Pode. Jonathan Hickman
à solta é brilhante e não parece ter limites. Para dar novas dimensões à história reaviva a guerra fria, com as cúpulas soviéticas contaminadas por um organismo alienígena que se despenhou em Tunguska. Do lado americano temos um presidente Kennedy adepto de enfiar a cara em montes de cocaína para o ajudar a tomar decisões. Uma inteligência artificial move-se nas sombras, os projectos são avaliados por burocratas, com resultados esmagadores das cabeças dos avaliadores. E, cereja em cima do bolo, Gagarin parte para o espaço em busca da sua adorada Laika (que agora, recordem-se, é uma cadela humanóide, o que significa que virá daí coisa bizarra, ainda mais do que o habitual) tendo Von Braun como companheiro. Só essa vinheta, de um nazi e um soviético unidos na conquista o espaço, é de profundo brilhantismo. E o resto não lhe fica atrás. Gostaria muito de saber o que é que este argumentista anda a tomar para ter ideias destas. É que também quero.


The Sandman Overture #03: É o comic incontornável da semana. Diria do trimestre, que a série vai sendo editada com um ritmo muito lento. Sabemos como vai acabar a história. Interessa a prosa poética de Gaiman e o traço excepcional de J. H. Williams para nos levar até ao ponto onde tudo irá começar. Morpheus trilha um caminho de loucura, acompanhado por outro aspecto seu que tem a forma de um gato. Porquê um gato? É coisa típica de Gaiman.


The Shadow Over Innsmouth: Não é essa sombra. É o outro. O trocadilho entre o clássico de Lovecraft e as aventuras do sangrento justiceiro The Shadow está genial. O resto é que nem por isso. O Sombra não vai com a sua voz cava e pistolas certeiras ver o mal que se oculta no coração dos descendentes do habitantes das profundezas, porque a história segue o caminho mais previsível de contrabandistas que se socorrem dos mitos locais para evitar olhares incómodos. Mas agora ficou na ideia a possibilidade de um crossover entre The Shadow e os grandes anciães. Suspeito que ele resolveria muito bem o problema dos cultistas degenerados de The Call of Cthulhu.

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