terça-feira, 15 de julho de 2014

Leituras

Fantastic Voyage: Podemos ser mais nariz empinado ao falar das ficções de género? Leiam: "Certain amusements appropriate to childhood or adolescence have established a beachhead in adulthood, or its 21st-century American simulacrum. Grown men and women indulge, with or without shame, in video games, fantasy football leagues, sitcoms, online porn, comic books, and movies based on comic books—or that involve Las Vegas, 33 shots of tequila, and waking up athwart two female Sumo wrestlers and a chimpanzee". Sim, podemos: "And of course, for those who still feel obliged to read something semi-respectable but prefer not to trouble themselves with heavy lifting, there is science fiction, as well as the fantastic adventure tales that don’t quite fit into that genre but are the next best thing". Ah, pois. Essa coisa da FC é para putos e adultos imaturos. Pessoas de bem, equilibradas e bem formadas dedicam o seu tempo a leituras mais elevadas. E ficam chocadas se se virem obrigadas a contemplar as pilhas de esterco imaturo das naves espaciais e tecnologias. Pessoalmente, apesar de reconhecer a importância de Verne na história literária da FC, também não o considero assim tão brilhante autor. O que irrita, já cansa e com os intercâmbios culturais que têm caracterizado o final do século XX e o início do XXI algo de muito demodè é esta história da ficção de género como algo menor, apenas apropriado para mentecaptos imaturos incapazes ou preguiçosos para se dedicarem às leituras verdadeiramente edificantes.

Yesterday's Tomorrows and Tomorrow's Yesterdays: Utopian Literary Visions of Antarctic Futures: Devo ter tido sorte, ou então ando preguiçoso para caçar o pdf, mas consegui ler este muito interessante artigo de Elizabeth Leane. A coisa agora está por detrás duma daquelas irritantes e inexplicavelmente caras paywalls académicas. O foco está nas utopias (e distopias) que tenham a Antártida como pano de fundo e traça um retrato intrigante de ficções de autores anglo-americanos que imaginam futuros diferentes no continente gelado. Se se estão a perguntar se vai até aos mitos urbanos sobre bases nazis, não, não vai, mas não se esquece de At The Mountains of Madness de Lovecraft, descrito como uma inversão da visão da Antártida como uma inversão da visão de um futuro antártico sob o brilho da indústria.

Flying Saucers Would Never Land in Lucca: The Fiction of Italian Science Fiction: Suponho que du fumetti a literatura o passo seja lógico para ficar a conhecer outras tradições literárias de FC na europa, onde as barreiras linguísticas impedem a disseminação das culturas de género, a menos que haja investimentos na tradução. Este artigo de Arielle Saiber detalha a história da FC italiana, centrada na literatura, fugindo ao cinema e banda desenhada (com grande pena minha, que adoraria saber se há mais FC no fumetti para além de Nathan Never/Agenzia Alfa). Descobre-se Urania, a mais antiga colecção literária de FC em publicação contínua, fica-se intrigado pelas análises liminares à obra dos escritores italianos do género, mas o tom generalizado é o da dificuldade de implementação do género em Itália, visto como uma conjugação de elitismo com fatalismo e a industrialização tardia de um país de raízes agrárias. Mas, essencialmente, elitismo literário.

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