segunda-feira, 7 de julho de 2014

Comics


2000AD #1888: Só me apetece gritar OMG! OMG! OMG! com a minha melhor voz de fanboy histérico. Edginton e Culbard estão de volta com o belíssimo steampunk de Brass Sun, desta vez com dirigíveis... é o que chega para deixar um fã de steam com uma certa queda para aeronaves mais leves do que o ar a babar-se. Como sempre, o traço de Culbard está espantoso. É fascinante como consegue comunicar tanto com um design tão simples. A revista ainda nos dá Dredd no seu melhor, com aquela ironia a roçar o ridículo onde o personagem mais se sobrevaloriza numa história onde um Klegg sensível e culto sofre com a discriminação. Um Klegg, perguntam? Passo a explicar. No universo de Dredd os Kleggs são crocodilos humanóides mutantes que devoram tudo o que tenha duas ou quatro pernas e respire. Um pouco como o Mr. Croc do Batman, mas mais sanguinários. E este é pacífico e sensível. Percebem agora a ironia? Para terminar Dan Abnett encerra mais um ciclo de Grey Area, uma das melhores séries de FC em comics deste ano. De forma épica: a Terra está ameaçada por uma divindade alienígena que vai devorar o planeta e resta aos agentes do serviço de imigração exo-planetário assassinarem um deus.


Lazarus #09: O comentário às agruras da contemporânea sociedade neoliberal, onde as pessoas são recursos descartáveis ou optimizáveis, está em destaque nesta edição de Lazarus. Com o mundo dividido em famílias de oligarcas financeiros, aqueles que não pertencem à aristocracia dominante ou são recursos ou desperdício. Magnânimos, mas essencialmente interesseiros, os oligarcas promovem concursos regulares de elevação de desperdício humano à condição de recursos. O que arrepia nesta distopia futurista de Greg Rucka é que suspeitamos que não andamos muito longe deste novo feudalismo, assente na finança e tecnologia. É, talvez, uma consequência do capitalismo selvagem alastrante.


Moon Knight #05: Suponho que só Warren Ellis para se safar com uma destas. Nas mãos de outro argumentista certamente que esta premissa seria desastrosa. Um comic estruturado como um jogo de acção multi-plataformas, com um personagem que progride eliminando adversários, sobrevivendo a boss fights até chegar ao confronto final e atingir o objectivo de jogo. Ellis escreve muito bem a acção pura e conjugado com o trabalho de ilustração consegue fazer funcionar a estética e dinâmica do gaming em banda desenhada. A capa, desenhada como um jogo de plataformas, dá-nos logo um indício daquilo que nos espera.


Wildfire #01: Matt Hawkins, autor de Think Tank, um dos mais inteligentes comics contemporâneos sobre a confluência da tecnologia de vanguarda e os interesses da política global de defesa, volta à carga com outro título provocador. Desta vez o tema são os organismos geneticamente modificados e Hawkins começa com um ponto bastante óbvio: uma praga bio-modificada que se espalha após um acidente biológico. É um começo possível, mas a avaliar pelo trabalho do argumentista certamente que evoluirá para uma narrativa complexa capaz de tocar nas várias vertentes e pontos de vista deste tema fracturante. Continua com o hábito de terminar o comic discutindo pontos de vista e deixando referências para que os leitores fiquem a saber mais sobre os pressupostos reais por detrás da ficção.

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