quarta-feira, 4 de junho de 2014

Trincheiras


Está patente no museu da Escola das Armas na zona militar do Convento de Mafra uma pequena mas bem concebida exposição sobre a participação portuguesa na I Guerra mundial, inserida nas comemorações do seu centenário.


Não sendo muito grande, consegue algo de extraordinário com a recriação realista de uma trincheira com peças da colecção do museu militar. Permite aos visitantes sentir o que seria estar numa trincheira da frente ocidental, apesar da ausência de lama, piolhos, morte e horror do combate (perdoem-me, mas nisto da I Guerra sou muito influenciado por Tardi). A escala real e o cuidado na escolha e posicionamento dos objectos tornam-a o ponto mais interessante da exposição.


O meu olhar de aerog33k foi atraído por este quadro representando um combate aéreo entre pares de S.E.5 e Albatros D.III. Como é que o stor sabe essas coisas, perguntou uma aluna. Muitos anos a treinar o olhar com o fascínio pelas formas dos engenhos voadores.


A visita foi uma das recompensas aos alunos de nono ano do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, cujos trabalhos sobre a I e II Guerra estão também em exposição numa sala da Escola de Armas. Apanhei boleia e não me arrependi. É sempre um prazer poder ir visitar a zona do convento de Mafra sob égide do ministério da defesa, com aqueles corredores de perder de vista que me deixam sempre a reflectir na forma como a arquitectura materializou a pureza perspéctica, ou os primores barrocos da sala oval ou da sala solene. Fixei o olhar deslumbrado de uma aluna ao ver pela primeira vez a muito bem restaurada sala solene.

(Se bem que estacionar o carro dentro da porta de armas e ser progressivamente cumprimentado com continências pelos soldados com que me cruzava foi um pouco inquietante. Estranha sensação. Mas enfim, há que respeitar os costumes institucionais.)

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