quinta-feira, 5 de junho de 2014

Derivar


Que raio de fim de semana. Daqueles onde tudo o que é interessante se acumula. Ao mesmo tempo juntou-se por cá a Festa das Escolas do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, iniciativa em que tive imenso gosto em participar, por Guimarães o 26.º Encontro Nacional da APECV/2.º Congresso da RIAEA, em Beja o Festival Internacional de BD (e tenho de arranjar maneira de ir ver a exposição da Zakarella) e na Lourinhã o Festival Livros a Oeste, organizado pelo incansável João Morales. Bolas. Não houve tempo para tudo. Fiquei-me por cá e por Guimarães, onde fui falar sobre as TIC e o 3D interligados com as artes visuais. É daí que vem a primeira foto, uma instalação de origami muito bonita no átrio da escola básica João de Meira, que acolheu os três dias de um encontro do qual perdi os momentos mais interessantes. Adoraria ter feito o percurso de dérive pelas ruas de Guimarães.


Sem desprezar os momentos de partilha e imensa arte espalhada pelo encontro, a melhor surpresa que lá tive foi cruzar-me com o livreiro da Snob, uma livraria de Guimarães convidada a manter uma banca no encontro/congresso. Que estava cheia de coisas deliciosas. Não é todos os dias que se tem o prazer de falar da capa do Osama, das edições da Livros de Areia, do gosto pela ficção cientifica, de autores ibero-americanos de ficção weird em processo de tradução para português, e pegar em edições raras de editoras pouco convencionais. E ter isto nas mãos, uma edição do delicioso Codex Seraphinianus.


Do congresso retiro a simpatia de Teresa d'Eça, da APECV, a avalanche de arte nas paredes na escola onde se desenrolaram as actividades, e o ter finalmente oportunidade para conhecer mais a fundo o trabalho de Dalila d'Alte Rodrigues, autora do influente A Infância da Arte, A Arte da Infância que se foca nas questões da educação artística, traço infantil e paralelos com a história de arte. Porque os há, num curioso eco da ideia que a a ontogénese repete a filogénese. Se bem que fiquei com a sensação que uma amostra de crianças que frequentavam as oficinas de expressão artísticas da Gulbenkian não espelham por completo a realidade do país. O que não retira interesse nem validade às suas ideias, note-se. Foi refrescante, para alguém que como eu se vê cada vez mais intricado no digital, rever a tradição libertadora e expressiva herdada dos movimentos artísticos que revolucionaram a arte no século XX transposta para a educação.

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