quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

I'll start right away






Um dos problemas que sinto ao mostrar arte contemporânea aos alunos é a fortíssima dissonância cognitiva entre a facilidade de compreensão do figurativo, a atracção visual da abstracção e a difícil digestão do conceptual. Para crianças, o figurativo é bonito e espectacular, o abstracto tem cores lindas mas é fácil de fazer e o conceptual varia entre o isto é estranho mas gosto e o então posso trazer um tubo para aqui e dizer que sou artista? Formatados para o figurativismo e aceitando a abstracção como elemento decorativo, rejeição é a resposta mais habitual no confronto com outras formas desafiantes de expressão artística.

Claramente tenho de investigar mais sobre isto. Porque se na escola não se olhar um pouco para isto o fosso entre uma erudição elevada e difusa acessível por uma elite rarefeita e uma cultura simplista de massas virada para o lucro fácil agudiza-se.

Registos do museu colecção berardo no CCB durante uma visita de estudo improvisada, possível graças ao enorme espírito de abertura do museu. Experimentem chegar a outro espaço museológico com cem alunos sem pré-aviso ou marcação a pedir para entrar livremente e vejam que resposta teriam. No CCB só nos pedem para dividir em grupos pequenos para facilitar a visita. Goste-se ou não do CCB e das questões de mecenato, este é talvez um espaço que no que toca à educação presta um verdadeiro serviço público. Mas prometo que para a próxima marco previamente para poder dar aos alunos o gosto de visitarem o espaço acompanhados por guias, se para o ano se mantiver gratuito.

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