sábado, 28 de dezembro de 2013

Ekhö: T01, New New York, T02, Paris Empire.


Christophe Arleston, Alessandro Barbucci (2013). Ekhö T01 - New New York. Toulon, Soleil.

A premissa de um mundo paralelo de magia que ecoa o mundo real é interessante. O espaço ficcional de Ekhö replica o mundo natural utilizando magia e criaturas fantásticas para substituir a ciência e tecnologia. Somos levados para lá das fronteiras por uma jovem rapariga que se descobre herdeira de uma tia que apesar de ter falecido há muitos anos no mundo real é recém-falecida no mundo-espelho. A resposta ao mistério é-nos dada pela transferência da jovem. É preciso morrer no mundo real para habitar no paralelo, como descobre um incauto passageiro que é levado junto com a jovem heroína. Segue-se uma narrativa-périplo que com base num mistério de assassínio nos leva a conhecer uma Nova Iorque paralela. Visualmente o álbum é deslumbrante, misturando estilismo de inspiração fantástica e medievalista com um tom arquitectónico do século XIX e uma elegância com traços de manga no desenho dos personagens.


Christophe Arleston, Alessandro Barbucci (2013). Ekhö T02 - Paris Empire. Toulon, Soleil.

O que salva esta série da banalidade total é o traço do ilustrador, que se delicia a recriar as visões urbanas do nosso mundo com uma delicada e ornamentada iconografia de fantasia. Neste tomo o gosto fin de siécle dos boulevards parisienses leva uma camada mítica neo-medievalista, com uma torre Eiffel de pedra e dragões a sobrevoar a cidade-luz. O estilo mistura o realismo da bande dessiné com um lado caricatural inspirado no manga. Se o conceito de mundo paralelo onde a magia substitui a ciência e tecnologia e a ordem é mantida por uns seres com ar de ratinhos simpáticos que bebem constantemente chá para não se transformarem em monstros é interessante, o argumentista mantém-se num esquema simplista de repetição de intrigas policiais e palacianas desenvolvidas de forma quase infantil. Mas não deixa de ser um deslumbre contemplar as pranchas desta série.