quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Comics: Garth; Hellboy: The Midnight Circus.


Steve Dowling (1982). Antologia da BD Clássica: Garth. Lisboa: Editorial Futura.

Duas aventuras estão coligidas nesta clássica edição portuguesa. Na primeira, Garth viaja até um planeta ambulante que ameaça invadir a Terra. Envolve-se com uma sociedade avançada de quase-imortais que planeia ocupar o nosso planeta porque o seu já está a atingir os limites dos seus recursos. Estes imortais partilham o planeta-nave com uma uma versão menos evoluída e mais natural deles próprios. Garth navega as disputas internas, jogos de poder e assimetria social, conseguindo salvar ambos os planetas e ainda despertar paixões numa bela híbrida de imortais e naturais. Não surpreende, porque o herói passa toda a história de calções ou tanguinha para mostrar bem a sua musculatura. Como recompensa final é dado a Garth pelo cientista-mor uma capa e um capacete que o levarão de regresso à Terra viajando no espaço e no tempo.

No regresso à Terra Garth nem acerta no espaço nem no tempo, indo parar às estepes da ásia central onde se envolve com uma horde de mongóis embrenhados na conquista da China. Os poderes conferidos pela capa voadora e capacete temporal tornam Garth um elemento apetecível para a invasão de uma cidade-estado chinesa, mas o herói tem outros planos. Sabe que o destino histórico é o da conquista da China pelos mongóis, mas já que está metido nisso pelo menos tenta fazê-lo com um mínimo e sangue derrubado.

Garth é produto de época, similar a muitos outros personagens que marcaram os primórdios da BD de ficção científica. Repete o estereotipo do homem branco forte, justo e inteligente que vive aventuras em locais selvagens ou exóticos. Mesmo as civilizações cientificamente avançadas têm algo a aprender e Garth carrega com gosto esta variante de fardo do homem branco. Visualmente datado, o estilo tem lampejos interessantes na iconografia art-deco aplicada a visões de futuras civilizações e veículos. Para o nosso olhar contemporâneo um personagem musculado com laivos de pêlo no peito que se passeia por eras temporais vestido com uma tanga, capa e capacete com pequeninas asas tem o seu quê de absurdo.


Mike Mignola, Duncan Fegredo (2013). Hellboy: The Midnight Circus. Milwaukie: Dark Horse Comics.

Mignola tem mantido Hellboy de reserva mas de vez em quando dá-nos novas aventuras. É sempre  bom revisitar o personagem e a estratégia do autor evita a sua sobreexposição. Desta vez Mignola leva-nos à infância do carismático demónio para nos mergulhar num conto de autodescoberta onde um misterioso circo nocturno simboliza as forças com que no futuro Hellboy se irá defrontar. O estilo gráfico do ilustrador Duncan Fegredo mantém a ambiência de trevas e mistério do argumento.

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