sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Comics


The Accelerators #03: Tenho um fraquinho muito forte por histórias sobre viagens no tempo, particularmente pelas mais convolutas. Por isso é difícil resistir a este Accelerators que não sendo obra excepcional e caindo em diversos lugares comuns não deixa de ter alguns pontos de interesse. Imaginem que começavam a aparecer uns aparelhos com forma de donut que transportavam os seus utilizadores para outros tempos. Imaginem um futuro onde ter um desses aparelhos era tão banal como hoje ter um smartphone. Imaginem que nesse futuro as pessoas realmente inteligentes desapareceram em busca de novos futuros e as grandes massas se divertem a ver um espectáculo assassino numa arena onde se defrontam até à morte guerreiros trazidos de todos os tempos. Pois, reparem que eu não escrevi que este comic era genial ou inovador. Mas não deixa de criar um mundo ficcional intrigante completo com uns infodumps sobre teoria temporal que despertam a imaginação.


Grindhouse Doors Open At Midnight #01: Para a DarkHorse o grindhouse é a próxima "cena fixe" dos comics. Nisto anda muito atrás do cinema, que anda a explorar o género com muito estilo e ironia pop. Mas percebe-se. A editora procura o seu nicho num mercado em que a DC se mantém como a referência dos comics mainstream de qualidade (com um conceito de qualidade discutível, é certo), a Marvel como bastião do super-herói para crianças e adolescentes, e a Image como experimentalista a trazer ao público argumentos intrigantes e estilos gráficos atraentes com um forte pendor para a ficção científica. A DarkHorse tenta ter um pé nestes géneros todos mas acaba quase sempre em segundo plano. Talvez esta moda de hiperviolência pop estilizada lhe seja útil. Neste primeiro arranque temos o que vemos, uma história de excessos com monstros, cemitérios, sugestões sexuais, personagens duronas e mel. Um mel que desperta a abelha que há dentro das mulheres mais voluptuosas.


Hinterkind #01: Pega-se neste novo título da Vertigo Defy numa tarde sombria de outono. Enquanto cai a chuva pensa-se que é sempre bom ler uma história pós-apocalíptica com ruínas urbanas cobertas de vegetação. Começa tal como esperamos, com histórias paralelas onde sobreviventes tentam manter contacto com outros grupos e um par de jovens que inevitavelmente embarcará numa jornada aventurosa de auto-descoberta e crescimento pessoal que até nos leva também aos interiores devorados pelas selvas do que foi urbanismo moderno. Tudo corre como previsto até que Edginton nos mostra que um dos personagens tem cauda. E mais à frente, sem entrar em pormenores sobre a catástrofe que quase tornou a humanidade extinta, mostra-nos os monstros de fantasia em novas e mais selváticas roupagens. Parece que o apocalipse não sou deu cabo dos humanos e libertou a natureza selvagem, como reviveu os ogres e as fadas dos contos imaginários cujas novas encarnações não são simpáticas. Como nos é mostrado quando uma fada rebenta a tiro os miolos a um unicórnio que se alambazou com os cérebros mal cozidos de um grupo de humanos capturado enquanto um embasbacado ogre vai virando as cabeças num espeto. Ou quando os nossos jovens em viagem de auto-descoberta são salvos de uma matilha de leões mutantes nas ruínas de uma ponte novaiorquina por um troll de múltiplos braços. Fundamentalmente este Hinterkind é outra variante do género pós-apocalíptico com viagem de descoberta. As peças estão no tabuleiro e Edginton promete um jogo interessante.


Quantum & Woody #04: Depois do sucesso crítico de Archer & Armstrong a Valiant decidiu continuar a apostar na fórmula de desconstrução cómica da iconografia de super-heróis. Neste Q&W acertaram. Temos de tudo: buddy comedy com um par de irmãos desavindos que ganharam poderes graças às experiências científicas do pai, morto em circunstâncias estranhas. Os seus poderes só são eficazes quando trabalham juntos e claro que se um é responsável cheio de seriedade o outro é o seu oposto. São perseguidos por uma polícia sensual que é na realidade um clone para peças de substituição da chefe de uma organização secreta especializada em ocultar novas tecnologias para fins lucrativos. E na obrigatória bem sucedida luta contra os acólitos da seita tecnológica, cada qual um exemplo de experiência laboratorial de resultados perversos, encontram um misterioso e temível aliado num bode. Um bode capaz de destruir um exército de vilões com raios laser e cornadas e suficientemente esperto para dar com o botão de auto-destruição da base secreta. Por enquanto a série vai sendo hilariante, divertida sem ser pretensiosa. E deixo um desafio: conseguem perceber a referência ao Dr. Who que está na capa desta floppy? (Pista: tem o seu quê de Cassandra. E mais não digo.)


Trillium #03: Jeff Lemire continua brilhante nesta sua surreal série de ficção científica pura com ingredientes que incluem futuros de alta tecnologia onde a humanidade espalhada pela galáxia está à beira da extinção, misteriosas espécies extraterrestres e singulares viagens no tempo, tudo girando à volta de uma misteriosa flor cujo ADN poderá ser a chave para salvar a humanidade no futuro. E no meio disto tudo até tem tempo - e lata, para meter rayguns clássicas nas mãos da heroína. Uma singela homenagem às pistolas de raios dos tempos clássicos de Flash Gordon ou Buck Rogers.

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