sábado, 21 de setembro de 2013

Santa Trindade








Em modo dérive no Museu das Comunicações, um espaço onde a densidade de dead media por metro quadrado é avassaladora. No meio dos dispositivos obsoletos de comunicação, computadores arcaicos, câmaras e gravadores, brilham as placas de microchips das estações de comutação, ponteiros paralisados apontam fixamente para valores em mostradores, intricados mecanismos seguram fitas que já não correm pelas bobines, e os dínamos acompanham intocados tubos de crookes. No meio de tanto latão polido e silicone apetece gritar louvores à santa trindade de Tesla, Marconi e Shockley. Os objectos em exposição libertam o cyberpunk e o electropunk dentro de nós. Note-se que a excitação com as ideias de tecnologia não são coisa nova. Os delírios com mecanismos a vapor do steampunk e a mesclagem homem-computador onde o virtual mergulha do real do cyberpunk espelham o entusiasmo dos futuristas com o automóvel, a aeronave e a velocidade. Cada nova geração encontra a sua forma de apregoar o amor à máquina.

(A visita fez parte do Encontr@rte 2013, ponto de encontro de ideias optimistas sobre cultura e educação.)

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