quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Leituras

Manipulating objects in photos in 3D: Um software demonstrado no SIGGRAPH Asia que me deixou a salivar. Possibilita com comandos simples traçar contornos em fotografias e a partir daí gerar objectos em 3D. Tem implicações óbvias, prometendo simplificar enormemente o processo de modelação 3D. E deixa-me a imaginar. Imaginem o acoplar desta técnica à impressão 3D. A reprodução de objectos físicos torna-se tão fácil como tirar uma fotografia e processá-la com estas ferramentas. Algo que a Autodesk já tinha demonstrado com uma app que gera modelos 3D a partir de uma sucessão de fotos. Mas este projecto vai mais a frente, bastando uma foto tirada num ponto de vista que permita identificar as principais linhas de contorno de um objecto para que com alguns toques de software se replique virtualmente o real.

iSpy: How the NSA Accesses Smartphone Data: O heroísmo de Edward Snowden mostrou ao mundo algo que já há muito se suspeitava - a ubiquidade quase total da vigilância exercida sobre os meios de comunicação digitais por agências fora do controle dos governos democráticos que dizem defender. Este artigo do Der Spiegel (versão inglesa, graças aos deuses e aos tradutores) mostra até que ponto os smartphones de que tanto dependemos e gostamos estão sob ataque cerrado dos crânios criptográficos empregues pelas agências secretas. E agora a Apple lembrou-se de colocar o reconhecimento de impressão digital como forma de acesso biométrico aos novos iPhones. Está-se mesmo a ver os espiões a esfregar as mãos de contentes. Acesso instantâneo a uma base de dados em crescimento constante de impressões digitais, com um pequeno esforço dos super-computadores dedicados.

The Movie Theater of the Future Will Be In Your Mind: Um cineasta aproveita o site do Tribeca Film Festival para especular sobre o futuro do cinema. Vai talvez um bocadinho longe demais quando afirma que "There will be a merging of gaming and movies. First, through technologies emerging today – flexible screens, motion controls, haptic - or tactile - technology, smart glasses, virtual and augmented reality. The merging of real and projected worlds will produce a seamless experience – a complete illusion of being part of a film." Se o espectador poderá interagir e explorar o mundo ficcional de um filme, então o que distinguirá o filme de um ambiente de jogo? Note-se que já hoje a narrativa é um dos elementos mais importantes nos jogos. Mas termina sublinhando a intemporalidade das grandes ideias: "Indifferent to the mode of production, great stories by Homer, Shakespeare or Borges will be as relevant in the future as they are today. Just as 3D films are only exciting for the first few minutes, characters, events and conflicts will continue to drive cinema of the future." Ideias e narrativa são o essencial. Os meios e técnicas não são secundários mas por si só não asseguram o real interesse de uma obra. Simplificando: uma boa história é uma história, quer seja contada na mais austera oralidade (que encerra em si uma enorme riqueza) quer mostrada com os últimos requintes da tecnologia.

Why Minecraft is more than just another video game: Num género que sofre de uma visão popular que o enquadra como entretenimento violento e estupidifcante - qualificadores que estão muito longe da realidade e potencialidade dos jogos, não deixa de ser surpreendente a extrema popularidade de um jogo com grafismo de baixa resolução onde o objectivo é construir. Simplesmente. E o que os jogadores constroem distingue-se pela criatividade e perfeccionismo. Cidades intricadas, modelos complexos, até uma simulação de um computado estão entre os exemplos mais avançados. Quando ao poder que este jogo tem de encantar, eu que o diga, sempre a ser bem surpreendido depois de permitir aos meus alunos utilizarem este jogo como ferramenta para trabalhos finais. Penso que há aqui qualquer coisa a sublinhar. Por muito que nos deslumbremos com as histórias e as imagens criadas por outros, há algo de tremendamente fascinante no gosto em criar. O minecraft, esse lego digital, dá-nos essa possibilidade.

Container shipping: the secretive industry crucial to our existence: À volta deste planeta hiperligado fluempelas vias digitais que abraçam o mundo milhões de pacotes de dados, o elemento base da vida digital. Mais lentas, com tempos de viagem que se medem não em milisegundos mas em dias e semanas, há outras vias que interligam o mundo num curioso espelho físico do formigueiro virtual. Estas vias têm o seu bit, o ubíquo contentor normalizado que atravessa o mundo em anónimos cargueiros e circular pelos terminais intermodais que coroam os portos do planeta. Intrigante artigo sobre a navegação comercial.

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