sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Comics


Criminal Macabre The Eyes Of Frankenstein #01: É habitualmente interessante esta série de fantasia urbana noir de Steve Niles. Protagonizada por Cal McDonald, um detective privado com demasiadas ligações ao submundo oculto e com a sua sorte acaba promovido à condição de morto-vivo, Criminal Macabre mistura elementos do policial com horror. Desta vez o detective regressa em modo de missão humanitária, ajudando o monstro de Frankenstein a recuperar a visão. Suspeito que a páginas tantas a missão implique algum arrancar de olhos a uma qualquer incauta criatura para substituir os orgãos falhados do monstro. Mas há outros perigos à espreita, com um parto maldito e a eterna guerra entre mortos-vivos e vampiros.


East of West #06: O que é que faltava no historicamente alternativo western futurista distópico com três cavaleiros do apocalipse às turras com o quarto na américa alternativa? Juízes capazes de dispensar justiça instantânea. Ou colocando a questão noutro ponto de vista: para expandir o universo de East of West Hickman homenageia o clássico Judge Dredd com juízes justiceiros texanos.


Jupiter's Legacy #03: O fascismo inerente à ideia de seres super-poderosos que se escondem atrás de máscaras e justiceiros especialistas em punir o mundo com as suas ideias de justiça é  posto a nu por Mark Millar neste Jupiter's Legacy. A arte quase inocente de Frank Quitely mal disfarça a violência conceptual de um argumento centrado na tomada do poder global por um grupo de heróis convencido da certeza das suas soluções para os problemas humanos, independentemente da opinião do resto da humanidade. Millar não é primeiro a sublinhar este lado totalitário do género mas é curioso como o faz dentro do registo de inocência colorida do género. O argumento tenebroso contrasta com as cores vivas e brilhantes da página. E honestamente, pensem um pouco. Se o Superhomem ou qualquer outro ser poderoso das vinhetas existisse realmente, acham mesmo que se contentaria em perder tempo nos ciclos de eternos combates contra vilões e não se lembraria de impor uma solução mais duradoura?


The Mysterious Strangers #04: Decididamente Chris Roberson tem uma costela retro. Já se tinha notado no interessantíssimo iZombie, e está à solta neste Mysterious Strangers que emula aquelas séries televisivas de aventuras misteriosas dos anos 60 e 70 que agora está na moda recriar. Começa logo nas primeiras páginas, sempre com uma introdução cinemática ao estilo televisivo, e mantém no fortíssimo tom retro que marca a ilustração. Ter uma história em que uma banda de rock chamada The Scarabs entra numa fase psicadélica e invoca criaturas do além-espaço travadas à última hora por canções pop ajuda a marcar o tom. É visível uma bem humorada homenagem aos Beatles.


Clive Barker's Next Testament #04: Com doze floppys para ocupar, Barker está a desenvolver as nefandas aventuras do demiurgo Wick muito lentamente. Lento, mas não entediante. É uma construção paciente que tijolo a tijolo nos leva em passos decisivos em direcção à derrocada. A cada edição o caprichoso Wick lembra-se de mais uma atrocidade para atormentar o gado humano, e sempre em espiral de violência. Das atrocidades locais escala à alteração das leis da física que permitem o voo de objectos mais pesados que o ar, e tudo o que voa cai. Para manter a humanidade assustada reescreve outra lei física e o espectro electromagnético fica suspenso, e ninguém comunica. A seguir? Tornar o planeta mais aprazível com o abate da espécie humana. É bom ler Barker, e melhor ainda num comic original que não é mais uma repetição do eterno Hellraiser.

(Nota: floppy, descobri recentemente, designa o comic editado regularmente em revista. Coisas que aprendo com o mooc Comic Books and Graphic Novels do Coursera/Universidade do Colorado.)

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