segunda-feira, 8 de julho de 2013

We have become indifferent to everything

"Khrest turned his head painfully. “They are engaged in the usual simulator game. It has contributed much to the collapse of will and spirit among my people. Billions of Arkonides stand vigil by those screens daily while games are created by different masters of the medium. Highly complex. It is the audio-visual representation of elements in the subjective psyche. My people would waste their lives in this fashion. (...) Our degeneration is not to be found in the realm of normal attitudes or ethics but rather in a total relaxation and surrender of will. We have become indifferent to everything. For us, nothing remains exciting, nothing stimulating. Nothing evokes any response in us. The work of a new fictif artist takes precedence over all else."

Karl-Herbert Scheer (1969). Perry Rhodan: Enterprise Stardust. Nova Iorque: Ace Books.

Que coisa tão germânica. A decadência de uma espécie trazida não por factores externos mas porque os seus elementos se distraíram da ética de trabalho e da cultura do esforço, enfeitiçados pelo poder sensorial de ficções. Mergulhados na fantasia tornam-se apáticos perante o real e ditam assim a decadência racial. É a velha sensibilidade protestante posta em evidência pelas palavras de um alienígena no primeiro volume da série Perry Rhodan. No contexto deste livro é uma ideia muito paradoxal. A passagem surge no início daquela que é a mais longa e bem sucedida saga alemã de ficção científica escapista, com uma enorme comunidade de fãs e uma continuidade editorial que desde 1961 até à actualidade já produziu quatro mil novas histórias. Isso, leram bem. É curioso ler o escritor alemão deste livro alemão a ser tão germânico na crítica ao gosto pelas ficções e fantasias numa obra de ficção fantástica. Note-se também que subjacente às críticas e desdém sobre a cultura popular nas suas várias vertentes, com particular ênfase nos jogos e literaturas de género, está este subtexto de escapismo enquanto ameaça à disciplina moral do esforço e ética social.

Sem comentários: