quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fumetti: Falka - Devil's Breath; Dylan Dog: Maelstrom; Dylan Dog: Ritratto Di Famiglia


Juan Zanotto, Falka 01: Devil's Breath.

Este fumetti começa com uma premissa de ficção científica, ao colocar-nos num planeta distante colonizado por humanos que após uma guerra civil se divide entre um norte tecnológico e um sul desértico. Mas desenganem-se aqueles que vão pegar em Falka imaginando que vão encontrar um enredo de ficção científica avançado. As aventuras desta amazona solitária decorrem nas vastidões desérticas do sul, viajando por entre os estranhos oásis repletos de misteriosas e perigosas criaturas alienígenas, lutando contra os tiranetes locais que escravizam as populações empobrecidas e sendo perseguida com bonomia por um destacamento de soldados do norte em missão de reconhecimento com um dos comandantes profundamente apaixonado pela amazona. Misto de ficção científica com fantasia e distopia, tem um traço sólido com alguns momentos inspirados mas é essencialmente mais uma história em que uma inverosímil heroína de generosas proporções e semi-vestida enfrenta perigos que parecem estar pensados para lhe descobrir um pouco mais das voluptuosas formas. Uma série despretensiosa e divertida.


Tiziano Sclavi, Luigi Piccatto (1991). Dylan Dog 63: Maelstrom!. Milão: Sergio Bonelli S.P.A..

Tiziano Sclavi no seu melhor. Nesta aventura de argumento particularmente convoluto o criador de Dylan Dog homenageia Kafka e Escher numa história onde um padre renegado assassina bruxas a torto e a direito para tentar evitar a chegada de um anti-cristo que se revela como sendo ele próprio. Quando nos metemos com bruxas a percepção do real corre riscos sérios e Sclavi brinda-nos com momentos de puro surrealismo. Uma das curiosas características do detective dos pesadelos é que nas mãos de Sclavi é um interveniente incauto, mais espectador do que interventivo. As coisas aconteceu apesar dele, não porque as suas acções coloquem as situações em movimento. Nesta aventura, Sclavi é magistral pela erudição das referências e surrealismo da aventura. Numa nota que só recentemente identifiquei, Sclavi glosa Andy Capp do britânico Reg Smythe com uma personagem proletária que de boné sempre enfiado na cabeça se vai queixando no sofá da sua mulher feia que passa a vida a empolgar-se com os estranhos acontecimentos da casa vizinha, o centro do vórtice da história. No final, é revelado como um ser poderoso, vigilante do vórtice, mas que assume o papel de homem preguiçoso e rezingão porque não gosta de se sentir só. Curioso, muito curioso.


Pasquale Ruju, Angelo Stano (2011). Dylan Dog 300: Ritratto Di Famiglia. Milão: Sergio Bonelli S.P.A..

Há um mistério oculto no número 7 de Craven Road, Londres: quando terminará Dylan Dog de construir o seu modelo de veleiro oitocentista? É um dos adereços comuns nas aventuras do detective dos pesadelos. Há sempre um momento intimista no escritório repleto de livros, onde Dylan fuma ou reflecte próximo do eternamente inacabado modelo. Momentos esses que são normalmente quebrados por Groucho com as suas piadas impiedosamente secas.

Nesta aventura Dylan quase termina o seu barco. A história vive de múltiplas historias tecidas de forma metaficcional. Num futuro devastado onde hordes de zombies se arrastam pelas ruas um desenhador vai criando uma história de Dylan Dog... que nos leva ao renascimento onde conhecemos um jovem antepassado de Dylan e a sua mãe... que são sonhos de um Dylan Dog que regressa à Escócia para revisitar uma das suas primeiras aventuras... onde encontra uma vampira que sonha que atravessa uma Inglaterra cheia de zombies, cadáveres putrefactos a seguirem as suas vidas normais... e podia continuar assim, a entretecer linhas narratavias vagamente conexas se um outro personagem não assassinasse o artista no futuro. Espelha um pouco a vontade do leitor desta aventura de Dylan Dog. O tipo de argumento espelha bem o que Tiziano Sclavi fazia quando tinha a seu cargo o personagem, mas nem todos têm a erudição e capacidade surreal para suspender a descrença do leitor como Sclavi.

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