segunda-feira, 22 de julho de 2013

Comics


100 Bullets: Brother Lono #02: Azzarello e Risso estão em grande com a sua contribuição para a Vertigo DEFY, a tentativa de fazer renascer a chancela do marasmo onde foi mergulhada. 100 Bullets é o tema, mas Azzarello foge do que já escreveu e leva-nos ao México para uma história violenta de colisões sangrentas entre passado e presente. Percebe-se que tem fôlego quando as duas primeiras edições são  um longo colocar de peças no tabuleiro narrativo. Estamos longe de revelações e por enquanto apenas nos é dado a intuir linhas narrativas que sabemos que eventualmente se unificarão. O estilismo cru de Eduardo Risso está em grande. O seu traço tem evoluído para uma progressiva estilização e um forte experimentalismo no uso de cor, algo que em Spaceman oscilou entre grafismos excepcionais e incertos mas neste Brother Lono amadureceu. O resultado é uma invejável continuidade gráfica de ângulos arrojados, estilização e cor vibrante perfeitamente aliada aos tons quentes da violência suja do argumento de Brian Azzarello.


Batman '66 #01: Em tom de ironia hipster chega esta nova instância das aventuras de Batman. Descontraído e divertido, espelha na perfeição o tom kitsch da lendária série clássica onde um Adam West canastrão descia a níveis insondáveis de bizarria, acompanhado pelo saudoso Joker de Burgess Meredith e um Robin que afundava a inocência ingénua em pura estultícia. E holy batman genious: parece que inventou uma bat-impressora para fazer bat-impressões em bat-3D. Continuidade no mês que vem, no same bat-time same bat-place!


The Mysterious Strangers #02: Também em tom retro, o versátil Chris Roberson faz uma sátira inteligente a todas as tropes clássicas de séries de aventura e mistério onde agentes secretos combatem as mefistofélicas tramas de domínio mundial urdidas por organizações ultra-secretas. O tom é puro anos sessenta, vagamente similar a alguns elementos de iZombie (aquela fantasma simpática eternamente adolescente pop dos anos 60). A ilustração de Scott Kowalchuk parece-me uma vénia ao estilo de Jack Kirby, com uma rudeza de traço e esquemas vibrantes de cores a recordar a obra deste grande mestre. Faz todo o sentido que assim seja num comic que se assume como puro revivalismo.

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